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Felisa Perez


Nome completo: Maria Felisa Henriques Pereira Perez

Local e ano de nascimento: Lisboa, 1982 Formação académica: Mestrado em Museologia, licenciatura em História pela FCSH-UNL

Cargo actual ou último cargo desempenhado: fundadora de COOLture Tours

Como foi o seu percurso profissional? Por onde começou e por onde passou?

Quando terminei a licenciatura em História pensei o que a maioria de nós pensa: “O que fazer com o curso de História?”. Não me imaginava a dar aulas e ainda que goste muito de investigação, o trabalho solitário de arquivo a full time não me preenchia a cem por cento. Foi nesse momento que – como adoro visitar museus, palácios, exposições com pessoas que nos guiam e ajudam a ver o que pode estar “para lá de uma tela, objecto ou outro” – me voluntariei para trabalhar naquele que considero ser um dos museus mais singulares e relevantes de Portugal: o Museu Nacional dos Coches. A partir daí, concluí o mestrado em Museologia da UNL-FCSH porque queria saber mais sobre todas as áreas de trabalho num Museu. Mais tarde, trabalhei no Serviço Educativo do Castelo de São Jorge, em Lisboa, no Museu da Fundação Lázaro Galdiano, em Madrid, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Museu do Oriente e em exposições pontuais e também com artistas contemporâneos, como Joana Vasconcelos.

Onde está hoje e o que faz?

Em Junho de 2017, fundei o meu próprio projeto de educação e animação cultural: a COOLture Tous. A missão da COOLture Tours é aproximar crianças, adultos, curiosos e interessados da História de Portugal e do rico património português (museus, palácios e outros espaços de interesse cultural). Para tal, crio personagens históricos inesquecíveis, que estão em relação directa com os espaços/contextos: um cocheiro no Museu dos Coches; a rainha Maria Pia no Palácio da Ajuda. Estes personagens fazem visitas encenadas para famílias (aos fins-de-semana e feriados) e para escolas e outros grupos (estrangeiros, empresas, serviços sociais) em que não só falam sobre a sua vida, mas também vão mostrando o espaço/coleção de uma forma acessível e direcionada ao grupo. No final, todas as vistas encenadas incluem dinâmicas em que os visitantes participam e isso, acredito, contribui para terem uma experiência que vai mais além do que a simples apreensão de conteúdos. No Palácio da Ajuda há um baile num dos salões no final da visita; nos Coches simulamos a “caricata” história da “Troca das Princesas” junto ao Coche da Mesa, fornecendo adereços e fatos a todos os participantes. Para além disso, e por forma a prolongar os tópicos abordados na visita ou, especificamente, no contexto de visitas de escola, para que as crianças possam articular posteriormente com os pais o que aprenderam, oferecemos sempre no final da visita, a cada visitante, um jogo de Quantos-Queres com questões sobre a experiência vivida.

Até ao presente e do ponto de vista profissional, qual elegeria como o projecto mais relevante que levou a cabo, para o sector do património?

Elegeria o projecto em que estou a trabalhar actualmente. Isto porque, com a COOlture Tours, já recebemos e levámos aos museus mais de uma centena de famílias que habitualmente não visitam estes espaços, mas também devido ao trabalho que estamos a desenvolver com as escolas. Como é sabido, há muitas escolas que têm dificuldade em sair do seu espaço físico. Nesses casos, vamos até às suas instalações e desenvolvemos apresentações, teatros, jogos à medida do que a escola procura e adequados ao nível de escolaridade em causa ou ao respectivo conteúdo programático. No passado mês de Março, realizámos mesmo uma apresentação sobre Património numa escola em Lisboa.

E qual ‘aquele projecto’ que ficou por fazer ou completar?

A criação de uma publicação, um guia de visita para crianças com informação sobre os espaços com os quais estou a trabalhar: guias didácticos, acessíveis e que, à semelhança de algumas publicações que se têm feito sobre História de Portugal, prolonguem os conteúdos abordados na visita. Já apresentei este projecto a uma editora e a ideia era sair com um Jornal e/ou outra publicação, mas não teve seguimento...

Qual a experiência humana que mais o marcou ao longo da sua vida profissional (colega, chefe, grupo de trabalho)?

A equipa com que trabalhei na comunicação interna da Vodafone Portugal; as minhas orientadoras de mestrado, a Professora Doutora Raquel Henriques da Silva e a Arquitecta Helena Barranha; a diretora do Museu Nacional dos Coches, Silvana Bessone, que me permitiu iniciar a COOLture Tours no Museu dos Coches; a coordenadora do Serviço Educativo do mesmo museu, Dr.ª. Rosinda Palma que me preparou e continua a ajudar, motivar e confiar o meu trabalho; a equipa do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, genuinamente criativa e com quem fazíamos um trabalho incrível nas comunidades; a conservadora-chefe do Museu da Fundación Lázaro Galdiano, museu com o qual adoraria voltar a trabalhar. Pode ser que sim… quando a COOLture Tours estiver em Espanha daqui a alguns anos…

Em retrospectiva, e numa escala de 0 a 10, como classificaria o seu percurso profissional?

8.

Se voltasse atrás, fazia algo diferente?

Sim, teria realizado uma pós-graduação em Inglaterra e encontrado forma de fazer um estágio/trabalhar no Victora and Albert Museum.

Que conselho daria a quem está hoje a iniciar a sua carreira profissional nesta área?

Que seja criativo na procura de trabalho, que procure fazer o que gosta e aquilo para que tem verdadeiro potencial. Apenas assim conseguirá acrescentar algo ou marcar a diferença.

O que deseja para o sector do património em Portugal, no presente e no futuro mais próximo?

Desejo sobretudo maior acessibilidade, dinamismo e a valorização dos funcionários (como sejam os vigilantes, assistentes de sala, bilheteira, etc.) que, tantas vezes menosprezados, trabalham feriados e fins-de-semana a dar a cara pelo Património.

As sugestões de Felisa Perez:

Citação: “We are storytelling creatures, and as children we acquire language to tell those stories that we have inside us”. Jerome Bruner

Livro: La tía Julia y el escribidor, de Mario Vargas Llosa Música: “Carolina”, de Chico Buarque e Carminho Projecto: COOLture Tours

* O texto desta entrevista foi escrito de acordo com o Novo Acordo Ortográfico.


BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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