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Marisa Santos


Nome completo: Marisa Pereira Faria dos Santos

Idade: 24

Redes sociais que utilizas: Facebook; Instagram

Quais os teus principais interesses? Arte; Património; Fotografia; Música; Educação Patrimonial e Desporto

Formação académica (curso, ano, universidade): Licenciada em História da Arte, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto; Curso de Mestrado em Estudos Artísticos, vertente de Museologia e Curadoria, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e Mestrado em História da Arte, Património e Cultura Visual pela FLUP.

Porque escolheste esse curso? Vocação ou mercado?

Em criança iniciei a minha formação na área da música. O gosto pela cultura e pelas artes foi crescendo e no ensino secundário enveredei pelo Curso Científico-humanístico de Artes Visuais. Foi no 10º ano que soube que queria seguir História da Arte. Assim, quando chegou a altura escolher um curso de nível universitário apenas fazia sentido seguir uma área que congrega-se, em si mesmo, as artes e a cultura, ou seja, a História da Arte.

Qual a tua experiência profissional até agora?

O meu primeiro trabalho foi numa livraria. Não fosse eu uma amante de livros!

Mas apesar de ainda não me ter afirmado no mercado de trabalho, já tive alguns contactos com projetos que me deram ferramentas para os anos que se avizinham. De facto, devo felicitar a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e em particular a direção do Mestrado em História da Arte, Património e Cultura Visual, por ter promovido o projeto Porto de Virtudes, que funcionou como um project lab, segundo a visão do learning by doing. Este projeto, juntamente com a experiência anteriormente adquirida no projecto Tradição Sineira: Entre o Tangível e o Intangível, em parceria com Andréa Diogo, Patrícia Gonçalves e Joana Duarte, permitiram-me adquirir aptidões na área da investigação histórica e na criação de produtos patrimoniais.

Toda esta experiência refletiu-se na concretização da investigação e do projeto de mestrado Vestígios: Fotografia&Memória.

Qual o teu ponto de vista sobre a empregabilidade em Portugal nas áreas do Património / Cultura?

Compreendo que Portugal ainda carece de uma consciência patrimonial e isso reflete-se nas ofertas de emprego. Ainda está muito vincada, na sociedade, a ideia de que o acesso à cultura tem que ser gratuito e que os profissionais do património e das artes trabalham por “amor à camisola”! Isto leva a que por vezes se recorra a pessoas pouco qualificadas para ocuparem postos para os quais não têm formação ou a serem colocadas propostas de trabalho não remunerado a profissionais com habilitações de nível universitário.

Na minha opinião os postos de trabalho existem mas a seriação dos candidatos não é feita da melhor maneira. Para se mudar este panorama entendo que é necessária uma alteração de mentalidades, a tomada de uma consciência patrimonial e a procura de eventos culturais de qualidade, para que a oferta se torne cada vez melhor.

Preocupa-te mais a ideia de conseguir um emprego estável ou uma boa experiência profissional, mesmo que temporária?

Na realidade preocupam-me as duas dimensões. Apesar de desejar conseguir um emprego estável, para que consiga levar a minha vida com a segurança possível, compreendo que poderei não me sentir realizada profissionalmente. Mas caso isso aconteça terei de fazer opções! Gostaria de ter um emprego estável no qual tivesse uma boa experiência profissional. Contudo não entendo a expressão “emprego estável” como sinónimo de “emprego para a vida”.

Gostavas de ter um ‘emprego para a vida’?

Neste momento não acredito num “emprego para a vida”. O marcado de trabalho está em constante mudança e quer os profissionais quer as empresas da área do património e da cultura têm que se adaptar a essas alterações. O importante hoje em dia é encontrarmos um emprego estável para uma fase da vida e adaptarmo-nos às circunstâncias que surgirem.

O que representa para ti o património cultural? Qual a primeira ideia que te vem à cabeça?

Quando penso no conceito de Património lembro-me logo do significado da própria palavra: Herança Recebida. De facto, hoje em dia apresentamo-nos mais como depositários daquilo que nos chegou do que como herdeiros. Nós somos devedores perante os nossos antepassados, os nossos contemporâneos e os nossos descendentes. Assim, devemos preservar aquilo que nos chegou mas também deixar a nossa marca, para que os vindouros possam também eles valorizar esta época em que vivemos.

Mas e a cultura? Quando penso em cultura reflito sobre todas as expressões do homem: arte, conhecimento, costumes, crenças, hábitos, formas de saber fazer… Na verdade a cultura é um fenómeno universal, que pode surgir em qualquer época e em qualquer lugar, desde que exista a presença do homem.

Neste sentido, compreendo que o Património Cultural é constituído pela seleção crítica dos vários elementos da cultura, quer a nível material quer nível imaterial.

Consomes eventos culturais? Com que regularidade? Que tipo de eventos?

Sim! Enquanto profissional da área gosto de me manter atualizada e de consumir produtos culturais de qualidade. Tento fazer uma atividade cultural pelo menos uma vez por semana. Gosto de assistir a concertos, a peças de teatro, de ver um filme, de ir a uma exposição de arte, a um lançamento de um livro ou descobrir as tradições de uma comunidade.

O que é para ti visitar um monumento, um museu, uma cidade histórica?

Para mim visitar um monumento, um museu ou uma cidade histórica não é apenas estar no local. A minha visita inicia-se, geralmente, em casa. Gosto de pesquisar sobre aquilo que vou ver. Gosto de me contextualizar. Depois dirijo-me ao local e tento trocar algumas palavras com quem vivência o elemento cultural no seu dia-a-dia, ou uma zeladora de uma igreja, ou um guia do museu ou um habitante da cidade histórica.

Na minha opinião devemos ir minimamente informados para o local mas também o devemos viver. São as pessoas que dão vida aos bens culturais.

Compras alguma publicação relacionada com o Património / Cultura? Se sim, qual?

Atualmente não.

Artesanato, artes tradicionais, saberes, costumes… Tens algum interesse por experiencias relacionadas com este tipo de actividades?

Sim! O “saber fazer” é uma noção a ser preservada e transmitida. Adoro ir a uma aldeia do interior ou visitar uma comunidade diferente da que estou inserida e vivenciar outras formas de vida, outros saberes e outros costumes!

Faria sentido para ti uma segunda licenciatura, especialização ou formação específica na área do património cultural? (restauro, gestão cultural, etc.)?

Sim! Atualmente encontro-me em processo de defesa de relatório de projeto mas tenciono seguir o Doutoramento na área do Património.

Já visitaste uma escavação, uma obra de restauro ou acompanhaste um projecto cultural? Tens curiosidade?

Sim! Já acompanhei e participei num projeto cultural.

Tens 1 hora livre, 10 euros e estás num bonita cidade mediterrânica: um passeio ao ar livre, um gelado ou a visita a um monumento?

Sem dúvida que iria visitar um monumento, de preferência um que não estivesse nos guias…e se para lá chegar pudesse dar um passeio ao ar livre seria um dois em um!

*Esta entrevista foi escrita de acordo com o Novo Acordo Ortográfico.


BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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