BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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A actualidade do património cultural em Portugal

Um projecto

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Patrícia Machado


Nome completo: Patrícia Isabel Janarra Machado Local e ano de nascimento: Elvas, 17 de Maio de 1981 Formação académica: Licenciatura em Antropologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; Pós-Graduação em Museu e Educação pela Universidade de Évora e Mestre em Museologia pela Universidade de Évora. Cargo actual: Téc. Sup. na Câmara Municipal de Elvas – Responsável Técnica pelo Museu de Arte Contemporânea de Elvas – Colecção António Cachola

Como foi o seu percurso profissional? Por onde começou e por onde passou?

O meu percurso profissional, até ao momento, esteve sempre ligado ao setor de Museus e Património da Câmara Municipal de Elvas.

Onde está hoje e o que faz?

Sou a responsável técnica pela gestão e programação do Museu de Arte Contemporânea – Colecção António Cachola e colaboro também com projetos e atividades do setor de Museus e Património da Câmara Municipal de Elvas.

Até ao presente e do ponto de vista profissional, qual elegeria como o projecto mais relevante que levou a cabo, para o sector do património?

Sem dúvida fazer parte da equipa de Museus e Património da Câmara Municipal de Elvas e ter vivenciado a Classificação de Elvas a Património Mundial. Foi a 30 de junho de 2012, na 36a Sessão do Comité do Património Mundial, que decorreu em São Petersburgo (Rússia), que a “Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações” passou a integrar a lista de bens classificados da Unesco.

E qual ‘aquele projecto’ que ficou por fazer ou completar?

Uma vez que a minha formação de base é a Antropologia, então obviamente que o objeto de estudo nunca se esgota... e por isso existirá sempre um projeto por fazer, um tema para investigar, um trabalho de campo para realizar...

Qual a experiência humana que mais o marcou ao longo da sua vida profissional (colega, chefe, grupo de trabalho)?

Desde o início do meu percurso professional tive o privilégio de estar integrada num grupo de trabalho, multidisciplinar, cujos principios primam pelo profissionalismo, pela motivação, empenho e visão de desenvolvimento cultural e, assim sendo, sempre foi possivel ultrapassar diversos obstáculos relacionados com recursos financeiros, materiais e humanos.

Em retrospectiva, e numa escala de 0 a 10, como classificaria o seu percurso profissional?

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Se voltasse atrás, fazia algo diferente?

Não, todas as experiências contribuiram para o meu crescimento enquanto profissional.

Que conselho daria a quem está hoje a iniciar a sua carreira profissional nesta área?

Há muito trabalho para realizar nesta área, apesar de os ordenados e os contratos de trabalho não serem os mais atrativos, mantenham a motivação e a paixão pela investigação sempre com a tónica: “Conhecer para Preservar”.

O que deseja para o sector do património em Portugal, no presente e no futuro mais próximo?

Desejo que a investigação e o estudo do Património, material e imaterial, seja uma prioridade em Portugal, no sentido de permitir a existência de politicas de salvaguarda e de valorização com vista à preservação da identidade e da diversidade cultural das comunidades e do seu espirito de lugar. O Património permite evidenciar o que nos torna únicos e o setor do Turismo poderá aproveitá-lo como veiculo de desenvolvimento económico.

As sugestões de Patrícia Machado:

Citação:

«Somos as únicas criaturas que vivemos num mundo muito além das ameaças e das recompensas do nosso ambiente imediato. Vivemos num mundo construído por meio das histórias que contamos. Estas histórias chamam-se arte, ciência, religião, leis, organização política, educação, e muitas outras coisas, que têm sido tratadas de forma tão separada que chegamos a esquecer que todas concorrem para um mesmo objetivo: a construção, no tempo e no espaço, de uma rede de símbolos, chamada cultura» (G. Gerbner, 1990)

Gerbner, G. «Epilogue: Advancing on the Path of righteousness (may be)», in N. Signorelli e M. Morgan, eds., Cultivation Analysis: New Directions in media effects research, Newsburry Park: Sage, 1990.

Livro:

Rio das Flores de Miguel Sousa Tavares

Música:

O Melhor de Mim da Mariza

Projecto:

Convido a visitarem o Museu de Arte de Contemporânea de Elvas – Colecção António Cachola. Sem dúvida um projeto cultural de sucesso, desde 2007, que muito tem contribuindo para descentralizar o acesso à arte contemporânea fora dos grandes centros urbanos, como Lisboa e Porto.

* O texto desta entrevista foi escrito de acordo com o Novo Acordo Ortográfico.