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Abordagens colaborativas ao património cultural


Núria Cardoso*


O património é um conceito complexo cuja sua definição recai sobre os profissionais nesta matéria, mas será que deveria ser exclusivamente este o trabalho de uma só esfera de profissionais?


Esta é uma questão bastante debatida e questionada entre os profissionais do património. Reconhecesse a necessidade e urgência de envolver as pessoas e comunidades nos processos de gestão e preservação do património cultural, repensando os temas do património como sendo estes abrangentes e inclusivos.


Contudo, apesar de debatido e discutido, este é um tema controverso e os profissionais têm alguma dificuldade em reconhecer este conceito como alargado e multidisciplinar. Apesar de reconhecerem a sua importância, temem que as, ao enfatizar a importância do envolvimento das comunidades nos processos de gestão e preservação, se esteja a desvalorizar o seu papel enquanto especialistas. Pelo contrário, os profissionais são essenciais nos processos de tomada de decisão, no entanto, não se deveria tomar as suas decisões ou escolhas como únicas e representativas de uma comunidade sem poder de decisão. Atualmente existe uma relação de desigualdade entre os profissionais e as comunidades, devendo existir uma consciência da necessidade de criar um relacionamento bilateral para que se tomem decisões conscientes que beneficiem todos.


Para que se criem relações é necessário que se comece por “abrir portas” para um diálogo e troca de ideias. Desta forma, as comunidades conseguem expressar os seus interesses e os profissionais conseguem adquiri conhecimentos que de outra maneira não seria possível. Estar-se-ia agora a abrir caminhos na área das ciências sociais, os profissionais conseguem assim conhecimento dentro da área dos valores sentimentais e não apenas nos valores estéticos. Os especialistas saem agora da sua zona de conforto e dos limites convencionais, deixa de existir abordagens que passam primeiro pelos profissionais, para existir agora uma relação de “horizontalidade” entre as comunidades e quem decide.


O património não é algo estático, não é um objeto nem uma “coisa”, património é algo que é criado através de memórias, valores e emoções, algo que apenas pode ser sentido e transmitido pelas comunidades e pessoas individuais que vivem o património e não apenas o estudam. Sendo assim, é preciso abordagens que incentivem a participação e diálogo entre as comunidades e os profissionais. É preciso estudar abordagens orientadas para as pessoas “desbloqueando” o potencial participativo que o Património Cultural consegue ter.


O património é uma “responsabilidade comum” a sua gestão requer uma boa cooperação entre diversos setores envolvendo todas as partes interessadas, mas que abordagens se adequam melhor a este método de gestão participativa?


As abordagens utilizadas devem ser as abordagens centradas nas pessoas, onde as pessoas se tornem no foco central, não considerando o património como uma entidade isolada, mas sim como tendo o mesmo um potencial de desempenhar um papel ativo nas sociedades. Para isto tudo acontecer é necessário que existam abordagens eficazes e eficientes que consigam incentivar estas práticas. Algumas abordagens já estudadas que têm dado resultado são: a educação, a gestão participativa, o mapeamento cultural, a interpretação do património, entre outras. Essencialmente é preciso que estas abordagens deem voz às pessoas e que os profissionais as ouçam e tomem em consideração as suas opiniões e valores.

*a autora utiliza o novo acordo ortográfico.





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