A Cultura importa



*Teresa Cunha Pinto


A Cultura importa. A Cultura, verdadeiramente, importa. Mas, infelizmente, são poucas as vezes em que sentimos que Portugal se importa e se mobiliza realmente pela cultura. Esta é uma tendência que o fosso grande existente entre a sociedade e a cultura tão bem comprova.


Porque teimamos em não perceber a forma como a cultura influencia a nossa vida e a forma como esta é capaz de nos abrir as portas para um futuro melhor. A cultura não é passageira, a cultura não pode ser instrumento de propaganda, a cultura não é só para quem pode, a cultura não é um acessório, a cultura não pode ser uma bandeira política usada como instrumento de alguns partidos, a cultura não é um cliché. A cultura é base estruturante de tudo aquilo que somos, da nossa identidade e, por isso, base de todas as nossas acções, de tudo o que promovemos, de tudo o que somos capazes de criar para o bem-comum.


É, por isso, essencial que se comece a olhar para a Cultura como uma prioridade para Portugal. A par da Educação, da Saúde, do Emprego, a Cultura tem de lá estar, até porque é na convergência de todas as áreas de actuação que Portugal é capaz de se transformar e desenvolver. É urgente que se pense de forma sustentável o sector cultural, para que se comece a ver a cultura como estratégia para o país. Será tanto maior o retorno, quanto maior for a capacidade do Governo e da sociedade em olhar para a cultura com inteligência e estratégia.


O sector cultural em Portugal tem sido muitíssimo mal-tratado pelos sucessivos governos e, também, pelos partidos da oposição. Em suma, porque ninguém tem sido capaz de olhar para a cultura com visão e com respeito.


O sector cultural tem capacidade para se afirmar não apenas como fonte de identidade, mas, também, como factor de desenvolvimento e de inovação, capaz de gerar riqueza e postos de trabalho. Uma visão alargada e dinâmica da Cultura implica investir, preservar, criar, promover, comunicar, mobilizar. É um desafio que abarca um esforço alargado e ambicioso, mas que Portugal tanto precisa.


Que se abram os nossos olhos para o enorme potencial do sector cultural em Portugal. Visitar um monumento que é Património da Humanidade, um castelo algures numa cidade ou um centro de arte contemporânea nos Açores, consultar uma biblioteca ou um arquivo, ir ao cinema ou a um espectáculo num qualquer cine-teatro, visitar uma rota que abre ao público espaços e tesouros que estariam quase em permanência fechados. Os exemplos são muitos de norte a sul do país e as possibilidades são mais ainda. Será que há alguém empenhado em querer fazer justiça com a Cultura? ____________________________________________________________________________________________________


Teresa Cunha Pinto (Gestora de Comunicação), 26 anos, Porto.


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