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Quando o museu sai à rua


Quando pensamos na palavra museu ainda nos surge uma imagem de um edifício, um sítio, qualquer coisa parada e fixa. Mas o museu de hoje anda, corre, dança, fala, canta e performa. Os museus são guardiões de memórias, guardam em si memórias de tempos, história e pessoas. Mas não seremos todos nós guardiões de memórias? Num projeto de desenvolvimento participativo e colaborativo museu e escola uniram-se para trabalharem temas como a multiculturalidade, migração, identidade, inclusão, memória e identidade. Partimos das obras de arte e acervos das coleções do museu, recorremos às memórias deste património e às dos alunos que se juntaram a nós, das suas famílias e de toda uma comunidade, com o objetivo de criar um projeto transdisciplinar e intergeracional, que tivesse na música, dança e artes plásticas ferramentas de trabalho e que criasse um resultado performativo onde se contassem estas histórias numa só. Assim nascem os Guardiões de Memórias. Desenhado em conjunto com 40 alunos (entre os10 e os 18 anos), 1 professora de Educação Visual e 1 Animadora Cultural, do Agrupamento (TEIP) de escolas de Marrazes, em Leiria, escola de forte presença multicultural construída num bairro de habitantes com muitas nacionalidades e origens, atualmente com forte expressão das comunidades marroquina, cabo verdiana e cigana, contou ainda com a parceria da Sociedade Filarmónica e do Centro de Dia locais, numa procura de uma identidade múltipla e coletiva, expondo-a e preservando-a ao mesmo tempo. Foi um desafio criativo a cada passo e para todos os seus participantes, desenvolvendo-se entre o museu e a escola num diálogo ativo, crítico e criativo, numa incessante procura de partilha, de conhecimento e de construção, de um fazer em conjunto, com um resultado em aberto que se construiu a cada encontro. No museu os alunos do 2º e 3º ciclo, todos juntos – sem divisões por ano de escolaridade ou idade - num processo de entreajuda transversal, exploraram as coleções, conheceram artistas e obras de arte, matérias-primas e técnicas, abordaram assuntos prementes da atualidade como as migrações de refugiados e trabalharam técnicas de composição musical em tempo real, dança, composição e performance, em abordagens pessoais e coletivas. Em casa assumiram-se como guardiões de memórias: quem somos? Recolheram memórias antigas de família: como chegaram aos Marrazes? De onde vieram? Porquê? Como vieram? Quando chegaram? O que trouxeram e o que têm para partilhar/mostrar? Na escola guardaram essas memórias em pequenas caixas de papel, que foram transformando a cada dia, com recurso a diversas técnicas de expressão plástica, para irem contando estas histórias.

#OPINIÃO #ANDREIADIAS

BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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