Museu portátil – um projeto educativo de inclusão pela Cultura


*Serviço Educativo da Fundação Eugénio de Almeida


Ao longo do ano letivo de 2021/2022, o Serviço Educativo da Fundação Eugénio de Almeida desenvolveu o projeto MUSEU PORTÁTIL, uma ação de Inclusão pela Cultura no âmbito do Transforma – Programa para uma Cultura Inclusiva do Alentejo Central*, promovido pela CIMAC - Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, em escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico do Alentejo Central.


O projeto propôs-se percorrer os caminhos da arte contemporânea e do património cultural, explorando técnicas artísticas como a pintura, o desenho, a escultura, a gravura, mas também a escrita e as práticas curatoriais, com alunos do 1º ciclo do ensino básico dos concelhos de Alandroal (EB1 Aldeia de Pias), Borba (EB1 Borba), Estremoz (EB1 Glória), Mourão (EB1 Luz), Portel (EB1 Portel), Redondo (EB1 Montoito), Reguengos de Monsaraz (EB1 Outeiro), Viana do Alentejo (EB1 Viana do Alentejo) e Vila Viçosa (EB1 São Romão).


Na bagagem levámos ideias, objetos, propostas de atividades, e muita vontade de promover o encontro e a relação das crianças com o universo artístico contemporâneo, e também com as memórias históricas que marcam a identidade singular desta cidade património Mundial e deste território Alentejano.


Desafiados a pensar sobre os conceitos de museu, coleção, identidade, valor e território, cada turma recebeu um ‘Museu Portátil’ – um objeto mediador que marcou o ponto de partida e que se tornou o ‘contentor’ de todos os trabalhos produzidos pelas crianças.



Uma vez por mês, cada escola parceira acolheu nas suas instalações uma sessão dinamizada pela equipa técnica do Serviço Educativo da Fundação. Com a mesma periodicidade, o Serviço Educativo acolheu as referidas escolas e dinamizou uma visita com oficina num dos equipamentos culturais da Fundação, em Évora: Paço de São Miguel; Arquivo e Biblioteca Eugénio de Almeida; Coleção de Carruagens; Jardim das Casas Pintadas e Centro de Arte e Cultura.



No período compreendido entre dia 1 de junho e 17 de julho de 2022, a coleção de trabalhos resultante das sessões realizadas foi partilhada com a comunidade, através de uma exposição no Centro de Arte e Cultura que marcou a etapa final de um projeto entrelaçado de encontros e descobertas, de afetos e emoções, de experiências e aprendizagens para todos os envolvidos. Todos os alunos e professores envolvidos tiveram a possibilidade de visitar a exposição, conhecendo as coleções dos ‘Museus Portáteis’ de outros grupos escolares que integraram o projeto. Simultaneamente, tiveram a oportunidade de partilhar as descobertas realizadas ao longo do projeto com outros grupos escolares, da cidade de Évora.


Deste processo destaca-se o excelente acolhimento por parte das escolas, dos professores e de todas as crianças. Todas as sessões foram bastante participadas e as crianças puderam revisitar todos os passos do projeto na preparação da exposição final. Um momento muito relevante do projeto foi a possibilidade de os alunos poderem partilhar os seus trabalhos e experiências com outros grupos escolares, de outras localidades.


Em todas as atividades realizadas, na escola e nos espaços da Fundação, as crianças contactaram com diferentes conteúdos, temáticas, materiais e técnicas artísticas e todas são portadoras de um passaporte que poderão carimbar em todas as visitas à Fundação. Este passaporte permite ainda que possam visitar gratuitamente todos os espaços da Fundação, em família, até 1/10/2026.



No momento final do projeto, foi ainda realizado um encontro com Professores e Educadores, que decorreu no Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, que pretendeu criar um espaço de reflexão partilhada, com contributos de diferentes áreas temáticas, que incluiu as conferências: Capazes de ser livres, por Maria Vlachou (Acesso Cultura); Aprendizagem socioemocional e bem-estar psicológico em crianças e jovens - uma questão de saúde e desenvolvimento, por Adelinda Araújo Candeias (Escola de Saúde e Desenvolvimento Humano - DCMS / CHRC / Universidade de Évora); e Autonomia e flexibilização curricular: desafios, exigências e implicações nas práticas docentes, por Jainete Massuça (Professora do Ensino Básico). Realizaram-se, ainda os worshops Falar a brincar, com Diogo Duro (ator, animador e formador); e Como construir uma coexistência afetiva com uma exposição através de uma radical aceitação do “não saber”?, com Samuel Silva (artista plástico, professor e investigador). na exposição Tisanas. Infusões para tempos próximos.



Tendo em conta todo o período de desenvolvimento do projeto, contamos com um total de cerca de 11.900 quilómetros percorridos, mais de 180 horas de contacto, 117 viagens, 117 sessões realizadas, 117 atividades propostas, dirigidas a 168 alunos e com a participação de 26 profissionais de educação (professores, professores de apoio e auxiliares presentes nas sessões).


No final do projeto, todas as turmas envolvidas foram convidadas a disponibilizar os seus ‘Museus Portáteis’ nas bibliotecas escolares, para que outros grupos possam conhecer as suas coleções. Verificou-se ainda, nesta etapa final, um interesse de continuidade de projetos educativos de média/longa duração nas escolas e o compromisso assumido será a possibilidade de integração em novos projetos educativos assegurando a gratuitidade de todas as sessões realizadas na Fundação.


Este ano letivo, o projeto Museu Portátil seguirá viagem, à descoberta de novos territórios do Alentejo.



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O Transforma – Programa para uma Cultura Inclusiva do Alentejo Central, coordenado pela CIMAC, e cofinanciado pelo Fundo Social Europeu no âmbito do Alentejo 2020, pretende promover a inclusão social junto de populações excluídas ou isoladas, através de uma abordagem integrada entre cultura e inclusão social num contexto predominantemente rural e de baixa densidade, envolvendo entidades locais que já têm experiência nas áreas culturais em que se foca o programa.


*O autor utiliza o novo acordo ortográfico.

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