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Projeto Outeiro do Circo: Educação Patrimonial num projeto arqueológico


Visitas de grupos de ocupações de tempos livres​.

O Projeto Arqueológico Outeiro do Circo dedica-se desde 2008 ao estudo do povoado da Idade do Bronze Final (1200-850 a.C.) do Outeiro do Circo localizado perto de Beja.

Os principais trabalhos consistiram em escavações arqueológicas no interior do povoado e na muralha que o rodeia, através de campanhas de voluntariado no Verão com estudantes e profissionais de diversas áreas oriundos de vários países.

Em simultâneo com a definição da estratégia de investigação desenvolveu-se um programa de Educação Patrimonial, com o objetivo da aproximação entre o trabalho científico e os públicos interessados, com especial enfoque nas comunidades locais que também se constituem como uma garantia de salvaguarda do nosso património comum.

Neste projeto entende-se a Educação Patrimonial como um processo contínuo e ativo de conhecimento baseado no Património Cultural, que leve as pessoas a reconhecerem-se na sua herança cultural comum, através da apropriação e valorização das suas manifestações, tornando-as agentes diretamente envolvidos na sua fruição e proteção. Pretende-se assim gerar o fortalecimento de laços de identidade e coesão dentro das comunidades que permitirão o desenvolvimento de sentimentos de pertença e orgulho no seu passado.

Nos primeiros anos foram concebidas uma série de ações educativas e de divulgação destinadas a aproximar a comunidade local da aldeia de Mombeja, onde a equipa de investigação residia durante as campanhas, dos trabalhos arqueológicos para permitir uma maior identificação com o sítio e a sua história.

O desconhecimento dos habitantes de Mombeja em relação ao Outeiro do Circo foi a primeira dificuldade a ultrapassar. Apesar do sítio ser bastante referenciado na bibliografia especializada e de, inclusivamente, existir uma lenda que o relaciona com o topónimo de Mombeja, contando que aí se edificou inicialmente a cidade de Beja, este já não pertencia à memória coletiva. No entanto, este desconhecimento era apenas aparente, pois rapidamente se constatou que o sítio era localmente conhecido por outra designação, “Os Muros”, que assinalavam a sua antiguidade e a permanência de alguns vestígios com grande expressão física, como era o caso dos taludes que ocultam a muralha.

A realização de uma série de iniciativas (conferências, exposições, visitas) dirigidas à comunidade local constituíram-se como um primeiro passo para a recuperação desta memória, a que se seguiram outras atividades concebidas para atrair visitantes durante as escavações arqueológicas. Foi decidido tornar públicas todas as ações de trabalho de modo a criar maior empatia com os visitantes, como foi o caso das visitas guiadas às escavações, que decorrem em qualquer dia em que a equipa se encontre no campo e que também incluem uma componente de participação direta nos trabalhos e de contacto com os materiais arqueológicos, imprescindíveis para formar uma ligação quer à atividade arqueológica em si, quer ao sítio e ao seu estudo.

Visitas guiadas à comunidade local

Atualmente desenvolve-se no seio deste projeto um programa educativo mais alargado, que já incluiu a realização de ações por todo o território concelhio como forma de aumentar o seu impacto e com outras atividades regulares e dirigidas a públicos específicos, como sucede com as visitas de grupos de jovens de programas de ocupação de tempos livres, que no Outeiro do Circo têm a oportunidade de se tornarem “Arqueólogos por um dia” participando de forma ativa nos trabalhos de campo e de laboratório.

O alargamento deste projeto, associando sempre a componente científica às ações de divulgação e educativas, será o desafio futuro para se alcançar uma maior partilha, participação e envolvimento!

Autores: Miguel Serra e Eduardo Porfírio

Coordenadores científicos do Projeto Arqueológico do Outeiro do Circo

* O texto foi escrito de acordo com o Novo Acordo Ortográfico.

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BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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