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Associação Binaural/Nodar

Atualizado: 13 de Set de 2019


Fugindo à urbanidade, acreditando que Portugal é muito mais do que somente Lisboa e Porto, procuramos aqui, neste Lado B, mostrar mais do que "o outro lado", mas antes, por vezes, "the hidden side" das dinâmicas culturais do interior do país. Focamo-nos no património seja ele edificado, imaterial, sonoro, visual. Importa-nos as mecânicas. As práticas. Começamos com a Binaural.

Jason Kahn em residência artística da obra “Windline”. Foto de Luís Costa, 2009

A Associação Cultural Binaural/Nodar foi criada em 2004 por Luís Costa e Rui Costa. Estes dois irmãos gémeos deixaram Nodar aos 6 anos em direcção a Lisboa, mas regressaram à aldeia em todas as férias. Na casa dos 30, e já a trabalhar em Arte Sonora, no som enquanto matéria patrimonial e plástica primordial, as memórias sonoras de sons inaudíveis na grande urbe ganharam outro volume. E um deles regressou à terra.

É assim que nasce a Associação Binaural: com o propósito firme de resgate de sons perdidos, mas também (sobretudo?) de uma procura de perpetuar esses sons nas mentes de quem nunca os ouviu, de quem não sabe sequer que podiam existir. Começando pelo imenso som do silêncio. Acabando em novos sons criados.

Contando actualmente com o financiamento da DGArtes e de programas comunitários, apoio logístico de câmaras municipais dos territórios próximos e parcerias com o Teatro Viriato em Viseu e com a Fábrica Asa, a Associação Binaural/Nodar tem no portfolio o desenvolvimento de vários projectos e iniciativas próprias que exploram a dimensão da ruralidade através do recurso à matéria sonora.

É o caso das residências artísticas Nodar Rural Art Lab, criadas em 2006, que tem como principal objectivo integrar os artistas nas comunidades e territórios envolventes. As despesas dos participantes são custeadas pela associação em troca das obras realizadas pelos artistas. A mostra dos resultados deste trabalho é parte integrante do projecto, tendo já sido organizadas diferentes exposições em regime de itinerância.

Duncan Whitley em residência artística 2011. Foto de Carina Martins, 2011

Em 2008, acompanhando o ciclo do Ano Lectivo, surge o projecto educativo Aldeias Sonoras. Partindo da premissa de que o mundo rural está a despovoar-se a pouco e pouco (ou muito a muito), o projecto das Aldeias Sonoras pretende levar alunos de escolas básicas e secundárias a descobrirem os sons rurais, através da gravação, edição e identificação do património acústico das aldeias. A riqueza sonora destes lugares é descoberta e, com ela, surgem importantes sentidos de pertença e identidade fortemente ancorados no território.

A variante Cidades Sonoras, por seu lado, pretende registar e captar as especificidades sonoras de cada cidade, numa tentativa de travar o desenvolvimento que homogeniza a identidade acústica destes espaços. De acordo com a experiência de Luís Costa e Rui Costa, na cidade é mais difícil obter o silêncio absoluto e levar os participantes a estarem atentos a pormenores que exigem uma inteligência sensorial significativa. Relacionando diversas disciplinas do currículo escolar e fazendo uso de tecnologias na área do e-learning, bem como explorando a dimensão de consciência ambiental e do trabalho criativo, este projecto resulta numa experiência muito singular e enriquecedora para os jovens em idade escolar.

Cidades Sonoras em Coimbra

Prosseguindo o seu trajecto, a Binaural inaugurou, em Agosto de 2012, a emissão rádio do programa Tramontana que explora paisagens sonoras, tradição oral e musical através de uma rádio comunitária. 70 emissões estiveram no ar até Dezembro último. Trabalhando a um nível internacional, a associação faz parte de um conjunto maior de iniciativas à escala europeia que trabalham a dimensão da ruralidade, de onde se destacam a Itália e a Estónia como principais intervenientes nesta dinâmica. Aliás, o Tramontana integra-se nesta dimensão de parcerias internacionais.

No futuro, com um orçamento anual de 100 mil euros e um plano a 5 anos, a Associação Binaural/Nodar pretende lançar novos projectos e continuar a trabalhar em rede europeia, incentivando a itinerância de conferências e exposições, a ligação às universidades, e, no campo da difusão, apostando na criação de cds, catálogos e edições on-line do trabalho desenvolvido, apoiando-se fortemente nos suportes multimedia: como tão bem a dimensão sonora do património o demonstra, o património de outrora é vivido, também, com ferramentas de futuro.

#PATRIMONIOCULTURALIMATERIAL

BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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