top of page
patrimoniopt_logo_preto_edited.png

PODCAST | "Como é que os portugueses se relacionam com o património?"

há 4 horas
4 min de leitura


Ep. 1 Podcast patrimonio.pt

c/ José Maria Lobo de Carvalho

e José Tavares


O património cultural “nasce connosco”, mas estará o cidadão comum verdadeiramente ciente desta propriedade?


O podcast patrimonio.pt, promovido mensalmente pela Spira – revitalização patrimonial, tem como objectivo contribuir para a necessária "banalização" da discussão sobre o Património Cultural, tornando-o parte integrante do quotidiano da sociedade portuguesa quer na dimensão do seu usufruto, quer na dimensão da reflexão crítica que se pode e deve fazer sobre a sua gestão.


A patrimonio.pt - plataforma que iniciou o seu percurso em 2003 e se mantém, desde o seu relançamento em 2012, de forma ininterrupta -, procura, com este novo espaço de debate, aproximar o cidadão comum e, especialmente, aqueles que não trabalham na área e que são frequentadores ocasionais ou assíduos de monumentos e museus, do hábito de reflexão sobre um recurso cultural que é pertença de todos.


A patrimonio.pt - plataforma que iniciou o seu percurso em 2003 e se mantém, desde o seu relançamento em 2012, de forma ininterrupta -, procura, com este novo espaço de debate, aproximar o cidadão comum e, especialmente, aqueles que não trabalham na área e que são frequentadores ocasionais ou assíduos de monumentos e museus, do hábito de reflexão sobre um recurso cultural que é pertençade todos.


O episódio de estreia do podcast patrimonio.pt junta o arquitecto José Maria Lobo de Carvalho, Fundador e Director da Conservation Practice com o professor na FAUL, e o economista de políticas públicas José Tavares, professor catedrático na NOVA SBE, numa conversa aberta conduzida por Catarina Valença Gonçalves, Fundadora e Directora da Spira.


O tema é o da relação dos portugueses com o seu Património Cultural - uma relação marcada por alguma excentricidade de acordo com as estatísticas mais recentemente disponibilizadas. De facto, Portugal conta, no presente, com um parque patrimonial de mais de 38 mil monumentos inventariados, dos quais 4.500 estão classificados, incluindo 17 locais distinguidos pela UNESCO como Património da Humanidade, 7 como Património Imaterial e 3 com necessidade de salvaguarda urgente. Contudo, dados do Eurobarómetro de 2025 revelam que os portugueses ainda registam uma baixa taxa de frequência de consumo de actividades culturais, baixa taxa essa originada, em primeiro lugar, pela assumida falta de interesse para com esta área de lazer. Esta realidade contrasta vivamente com o facto de sermos os europeus da União Europeia com a taxa de "orgulho" mais elevada relativamente ao nosso património cultural (Eurostat 2017), obrigando os especialistas da matéria a procurar descortinar o significado destas preferências e números.


“De que maneira é que o tipo de exposições que os museus promovem têm a ver com as preocupações da sociedade actual e não com preocupações de um conjunto de críticos de arte que se reúnem em conferências para discutir a última tendência? Tem que haver uma aproximação.”

Na conversa com cerca de uma hora, os especialistas convidados procuram identificar as causas desta realidade distópica e apontam uma falha nas políticas públicas e na comunicação associada.


José Maria Lobo de Carvalho argumenta que a prioridade do Estado não deveria ser apenas intervir fisicamente num edifício, mas, sim, compaginar a estratégia de intervenção de acordo com os "valores actuais na sociedade, que devem ser estudados, divulgados, trabalhados". Sugere mesmo que a política de restauro deveria decorrer não de acordo somente com critérios de necessidade de recuperação dos monumentos - já que todos precisam de intervenção, de uma forma geral - mas, também, com um programa de intervenção que contribuísse para a aproximação do cidadão comum, tematizando o plano de intervenção anual ou bianual – as igrejas cistercienses, os castelos da raia, os fortes costeiros e por aí adiante...


Os intervenientes sublinham que a consideração do público deve determinar as opções de política pública nesta matéria, procurando ter em conta que, nos nossos dias e no futuro, todos procuram experiências consequentes e desejam ser considerados e interpelados nos seus processos de descoberta, não ficando o Património Cultural fora deste comportamento social.


Nesta campo, José Tavares reflecte sobre o papel do Estado atendendo a estas novas necessidades e exigências do público: a consideração da sociedade civil, organizada tanto na forma de agentes públicos, como privados mas sempre de maior proximidade seria determinante para a prossecução deste propósito de aproximação ao cidadão comum. Um Estado que não evidencia esta capacidade de gestão e, consequentemente, de delegação, é então o Estado – como o é o actual - que se concentra eminentemente no fazer obras, no alocar verbas a este propósito, desconsiderando para quem, como e porquê se intervém, centrado exclusivamente no valor simbólico “dos muros”.


Ambos os convidados concluem que, ironicamente, teria sido determinante Portugal ter vivido a experiência de uma destruição maciça do seu património, nos tempos mais recentes, como sucedeu com o resto da Europa aquando da IIGM: historicamente, a consciência para a protecção do Património Cultural desperta de forma particularmente aguda com o choque da sua própria destruição.


Oiça o episódio de estreia no YouTube e no Spotify.



  


_____


Setembro 2026



                                      

Em destaque

bottom of page