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Exposição "A evolução do braço – Surrealismo na Coleção Millennium BCP e alguns ecos contemporâ


Mário Cesariny, António Dacosta, Graça Morais, Paula Rego e Cruzeiro Seixas vão estar em foco numa exposição que é inaugurada este sábado, 7 de Julho, no Museu Municipal de Faro, em parceria com a Fundação Millennium BCP.

A exposição “A evolução do braço – Surrealismo na Coleção Millennium BCP e alguns ecos contemporâneos”, foi montada em sequência e consequência da exposição “A Partir do Surrealismo”, concebida e curada pela Historiadora de Arte Raquel Henriques da Silva e mostrada na Galeria da Fundação Millennium, que se constituía já como um ensaio de expansão — à escala nacional — de uma das tendências artísticas mais fascinantes do século XX. Reduzindo o elenco de artistas e de obras em função da especificidade do espaço do Museu Municipal de Faro, a presente exposição tem como desafio alargar ainda mais essa zona de influência e de ressonância em que se constituiu o Surrealismo, o único movimento artístico internacional que, para além da sua existência histórica, mantém vivas as forças, propiciatórias, que guiaram e animaram a sua deriva estética e esotérica. Os surrealistas descobriram que a linguagem — enquanto sismógrafo da pulsão erótica — é o cerne da energia criativa, é o meio e é a coisa em si. Partilhando este segredo, aprendido da psicanálise e de outras proto-disciplinas como a fotografia e a magia, foi menos o ideário estético, em rigor, menos relevante, do que essa correnteza profunda universal e transmissível, que atravessou o século e chegou até nós, intacta e intensa, que nos interessou nesta exposição reactivar. Assim, a dois autores canónicos e eternos do surrealismo português — Cesariny e Cruzeiro — juntámos António Dacosta, Paula Rego e Graça Morais, cujas obras exploraram e revificaram algumas (in)tensões do surrealismo histórico, preservando a luminosa ligação promovida pela exposição mostrada originalmente na Fundação Millennium bcp. A novidade nesta mostra é a extensão a artistas consideravelmente mais novos, cujos percursos se desenvolveram muito depois da ditadura do Estado Novo, da Guerra Colonial,do Maio de 1968 e da Revolução de Abril de 1974, em condições consideravelmente diferentes daquelas em que existiram o surrealismo e o pós-surrealismo e, portanto, com outras motivações. Jorge Feijão, Mumtazz, Rui Horta Pereira e Samuel Rama, cujo trabalho se declina em desenho, instalação e som, compõem este “cadáver esquisito” a que chamámos “A Evolução do Braço”, em reverência a um dos mais dignos herdeiros da doutrina surrealista, David Lynch, cuja escultura em forma de árvore e com cabeça informe surge neste espaço estranhamente reconstituída.

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BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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