Curro’s experiences: la polisemia de los recuerdos sobre el patrimonio cultural



Diolinda Ramírez-Gutiérrez*


VERSÃO ORIGINAL (Espanhol)


Este año se cumplen 30 de la Exposición Universal en Sevilla 1992. Las exposiciones universales son, como tales, eventos de carisma y carácter únicos.


Durante años David Anderson y su equipo han trabajado sobre la memoria a largo plazo de la experiencia de visita a museos y entornos híbridos (como las exposiciones universales).En dos trabajos, uno de 2003, y otro, de 2007, el autor y su equipo reflexionan sobre cómo se construye la memoria de la visita a un evento único. Aunque dichos trabajos no tratan sobre la Expo 92 o la Expo 98 (Lisboa) sino sobre ediciones anteriores, podemos transferir, sin embargo, las problemáticas que desarrollan sobre la memoria a largo plazo, ahora que se cumplen 30 años de la primera y 24 años de la segunda.


Nos pondremos un poco “académicos”, bajo estas líneas, con la única pretensión de reflexionar, sobre nuestros recuerdos y procesos de conformación de la misma en entornos de patrimonio cultural.


En definitiva, lo que estos dos trabajos ponen en relevancia es que la autobiografía (escribir nuestros recuerdos de nuestra asistencia a este tipo de eventos únicos en un diario, o bien, relatarlo en primera persona ante un grupo de amigos), no es, necesariamente una estrategia individual ni para hablar únicamente de sí mismo.


La invitación es ahora, lector, escribir o rememorar nuestros recuerdos de visita a las exposiciones universales u otros contextos híbridos, con el objetivo de descubrir si son los episodios, o bien, los significados los que prevalecen. Dicho cálculo es interesante para reflexionar sobre el sentido del patrimonio cultural que puede ser dado u otorgado (significados construidos) y ¿de toda la humanidad?.


De esta manera, comprenderemos, desde nuestra propia experiencia, que el sentido del patrimonio es polisémico, cambiante y dependiente de variables que están más allá de él. El patrimonio cultural es polisémico en sus sentidos y esto no es, ni mucho menos, un problema sino una virtud que hace crecer y enriquecer nuestras sociedades.


Sigamos reflexionando.


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TRADUÇÃO (Português)


Assinala-se, este ano, o 30º aniversário da Exposição Universal de Sevilha (1992). As exposições universais são, pois, acontecimentos com um carisma e uma natureza únicos.


Durante anos, David Anderson e a sua equipa trabalharam sobre a memória, a longo prazo, de uma experiência de visita a museus e ambientes híbridos (como as exposições universais). Em dois artigos, um de 2003 e outro de 2007, o autor e o seu grupo de trabalho refletem sobre como é construída a memória da visita a um acontecimento único. Apesar de estes artigos não se referirem à Expo’92 ou à Expo’98 (Lisboa), mas sim às edições anteriores, podemos, no entanto, relacionar as questões desenvolvidas sobre a memória a longo prazo, agora que passaram trinta anos desde a primeira e vinte e quatro desde a segunda.


Nas linhas abaixo, vamos tornar-nos um pouco ‘’académicos’’, com a única intenção de refletir sobre as nossas memórias e sobre a forma como nos adaptamos a contextos de património cultural.



Em suma, o que estes dois artigos destacam é que a autobiografia (i.e. escrever as memórias num diário da nossa participação neste tipo de acontecimentos únicos ou, em contrapartida, relatá-los na primeira pessoa a um grupo de amigos) não é, necessariamente, uma estratégia individual, nem serve, unicamente, para falar sobre si.


Leitor, agora o convite é para que escrevamos ou recordemos as nossas memórias de visita às exposições universais ou outros contextos híbridos, a fim de descobrir se o que prevalece são os momentos ou, em alternativa, o seu significado. Será que esta análise é pertinente para reflectir sobre o significado do património cultural, que pode ser concedido ou atribuído (significados construídos) como pertença de toda a humanidade?


Assim iremos compreender, a partir da nossa própria experiência, que o significado de património é polissémico, mutável e dependente de variáveis que o ultrapassam. O património cultural é polissémico nos seus significados, e tal não é um problema - longe disso - mas antes, uma virtude que faz as nossas sociedades crescerem e enriquecerem.


Continuemos a refletir.


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Referencias/Referências:


Anderson, D. (2003). Visitors’ Long-term Memories of World Expositions. Curator: The Museum Journal, 46(4), 401-420. https://doi.org/10.1111/j.2151-6952.2003.tb00106.x

Anderson, D., & Shimizu, H. (2007). Recollections of Expo 70: Visitors’ Experiences and the Retention of Vivid Long-Term Memories. Curator: The Museum Journal, 50(4), 435-454. https://doi.org/10.1111/j.2151-6952.2007.tb00284.x


Diolinda Ramírez-Gutiérrez é actualmente estudante no Doutoramento em Turismo e Sociedade na Universidad de La Laguna (Ilhas Canárias, Espanha). É licenciada em Filosofia pela Universidad de Granada (Espanha) e tem um mestrado em gestão do património cultural pela Universidat de Barcelona. Os seus interesses de investigação baseam-se nos processos de "turistificação" do sector patrimonial e museológico. Realizou estágios de investigação na Sapienza Università di Roma e na Universidade de Évora em Portugal. Publicou artigos em revistas internacionais nos domínios do Património Cultural e do Turismo ( https://bit.ly/3srBxHO). Diolinda Ramírez-Gutiérrez é também autora do blog www.lamuseologainocente.com, que tem como objectivo de apresentar à sociedade parte do seu trabalho.


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