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A importância dos "travel bloggers" na promoção do Turismo Militar em Portugal: o blog Oliraf

Rafael Oliveira*

Nos dias de hoje, a Internet é a forma mais rápida de chegar a uma audiência mais vasta num mundo cada vez mais global, onde o mercado global de turismo se caracteriza pela maior oferta de produto e destinos vocacionados para o turismo de massas. O aumento exponencial de novas plataformas de partilha de informação – os blogues – e de partilha de conteúdos – o Facebook e Instagram – tem incrementado a procura de um “nicho de turismo” que prima pela qualidade de oferta turística e pela diversidade de experiências. E há cada vez mais portugueses interessados neste novo mercado e produto turístico mais individualizado, exigente e especializado: o Turismo Histórico-Militar [1].


O Turismo Militar, enquadrado no turismo histórico-cultural, está associado a episódios de grande violência, destruição e mortandade, tais como, batalhas ou cercos. Para quem vive este tipo de turismo pode (re)visitar alguns dos locais e monumentos que fizeram os episódios mais marcantes da nossa secular História em segurança e sem o risco da violência que atingiu inúmeras gerações de portugueses ao longo de quase nove séculos de História como nação independente.


Destaco, em especial, os Travel Bloggers que ajudam a cativar públicos mais abrangentes e dinâmicos na promoção turística, através dos seus artigos na Internet, de um local, monumento ou região. Há cada vez mais adeptos a conhecer a História Militar do seu país, nomeadamente, os locais das batalhas e o património edificado histórico-militar associados à mesma.


Em 2011, criei um blogue – OLIRAF [2]– com o intuito de divulgar a minha curiosidade pelos Castelos de Portugal, através da minha paixão pela fotografia. Mais tarde, em 2016, este projecto evoluiu para um conceito relacionado com a escrita e fotografia de viagens, onde as experiências de Turismo Histórico-Militar são sempre incluídas nas minhas viagens. Há quase uma década que fotografamos efemérides, eventos e recriações bélicas ligadas à História de Portugal, bem como à preservação do património histórico-militar. Veja-se o caso do conjunto de artigos relacionados com as ruínas abandonadas do extinto Regimento de Artilharia de Costa (RAC).

Temos, também colaborado com diversas entidades privadas e públicas na preservação e divulgação do património edificado, tais como, grupos de recriação (Guerrilha de Montagraço), empresas de animação turística (Mystical Trip), instituições militares (Comando da Zona Militar da Madeira), rotas militares (Rota Histórica das Linhas de Torres), organismos de promoção turística (Turismo do Algarve e Centro) e municípios (Melgaço).


À medida que vamos cimentando a nossa presença no panorama dos blogues e “instagrammers” de viagem, decidimos, em 2019, que o nosso “nicho de mercado” era o Turismo Histórico-Militar. Trata-se de um mercado e um produto turístico em franco desenvolvimento no contexto nacional e internacional. Atualmente, existem poucos blogues de viagem que abordam esta temática. Daí, estarmos a apostar neste mercado e produto turístico, com a publicação de diversos artigos com experiências nesta área, tais como, visitas a museus militares (Elvas, Madeira e Museu do Ar).

Acima de tudo, queremos dar a conhecer a História Militar de Portugal, através de experiências lúdicas e culturais, tais como fazer um passeio de barco no rio Tejo e visitar o Castelo de Almourol, fotografar as ruínas abandonadas do extinto Regimento de Artilharia de Costa (RAC) ou realizar uma caminhada pela Rota Histórica das Linhas de Torres (RHLT). Pretendemos, assim, mentalizar as pessoas para a questão da salvaguarda patrimonial, promover o conhecimento da sua própria região, a participação em eventos culturais e consciencialização de que o Turismo Militar não é feito exclusivamente para militares.


Os acontecimentos histórico-militares das Invasões Francesas (cercos, batalhas e escaramuças) têm sido recriados em vários locais de Portugal. Como no Vimeiro, no concelho da Lourinhã, em Almeida, no distrito da Guarda e em Sobral de Monte Agraço, na região Oeste. Actualmente, existem cerca de cinco grupos de reconstituição histórica em Portugal (Guerrilha de Montagraço, Companhia de Artilharia do Sobral, o GRHMA, Artilharia do BANG e o Batalhão do Vimeiro) que demonstram o interesse na promoção do turismo histórico-militar associado às Invasões Francesas em Portugal (1807-1811) e à Guerra Peninsular (1808-1814). São hoje um pólo de atractividade turística que atrai cada vez mais curiosos pela temática das invasões francesas. Veja-se, por exemplo, o belo exemplo da reconstituição histórica do Cerco de Almeida (1810) que tem dinamizado, turisticamente, a estrela do interior.


Os Travel Bloggers são fundamentais, nos dias de hoje, para a divulgação, promoção e preservação do património histórico-militar, mais especificamente, do Turismo Militar existente numa determinada região ou concelho. Os blogues conseguem chegar a um público mais abrangente e, acima de tudo, que prima pela exigência, pela qualidade e diversidade de conteúdos relacionadas com o património histórico-militar e cultural, mas também nas diversas experiências a eles associadas sejam elas, materiais e imateriais. Veja-se, por exemplo, o caso da aposta no Enoturismo ou das caminhadas associadas a uma determinada rota turístico-militar [3].


Estou certo que vamos estar na linha da frente, no que diz respeito à divulgação do Turismo Militar em Portugal e na promoção da nossa memória colectiva. Existem, assim, fortes razões para fazer Turismo Militar em Portugal!


[1]Monteiro, A. (2019). Turismo Militar: um mercado e um produto turístico. Jornal A Pátria.

Disponível na Internet: https://apatria.org/turismo/turismo-militar-um-mercado-e-um-produto-turistico/

[2] Para saber mais informações consultar https://oliraf.wordpress.com/category/turismo-militar/ou seguir nas redes sociais Instagram e Facebook.

[3] Rota Histórica das Linhas de Torres – RHLT (2020): https://rhlt.pt/


* Autor do blog OLIRAF.

Rafael Carvalho de Oliveira é mestre em Ciências de Informação e Documentação (variante Arquivística). Licenciado em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) e pós-graduado em Ensino da História no 3º ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário, pela mesma instituição. É especialista em tratamento documental de Arquivos Fotográficos, onde trabalhou em diversas instituições e empresas. Desenvolve actividades como técnico de documentação fotográfica, onde integra a equipa de investigação que realiza o estudo e tratamento arquivístico do Espólio de José Marques (1924-2012), no âmbito do Projecto Rossio (TNDM II). Nos tempos livres, dedica-se às suas três paixões: a Fotografia, a História e as Viagens. Em 2011, criou o Blogue OLIRAF, um projecto de escrita e fotografia de viagens. Foi nomeado na categoria de Fotografia nos BTL Blogger Awards (2016 e 2017) e finalista dos Discoveries Awards 2019, na categoria de escrita.

O autor utiliza o Acordo Ortográfico.


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BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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