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Aqueduto das Águas Livres


Obra maior da engenharia Nacional, o Aqueduto das Água Livres é ainda hoje um marco iconográfico da Cidade de Lisboa, com uma imponência arquitectónica e uma qualidade artística que traduzem também a sua importância na história moderna do país.

A sua construção é iniciada em 1731 por ordem régia de D. João V, após insistência do procurador da cidade de Lisboa, Cláudio Gorgel do Amaral, com o intuito de fornecer água potável à capital. Na verdade, até então, apesar de Lisboa ser a capital do vasto Império português, não tinha sido ainda criada uma rede de abastecimento que fornecesse condignamente a cidade e garantisse água potável à população. Problema já antigo, tinha vindo a agravar-se com o crescimento populacional, o que, em 1571, levou inclusivamente Francisco da Holanda a elaborar e a apresentar ao Rei D. Sebastião uma proposta para a ampliação na rede romana existente, iniciativa essa que foi negada pelo monarca e que acabou por ser abandonada.

A construção do Aqueduto no século XVIII vinha responder então a esta necessidade premente através da criação de um vasto sistema de captação e transporte de água numa estrutura forte e utilitária. Foi o pagamento de taxas intituladas “Real de Água”, lançadas sobre a carne, o azeite e o vinho da população lisboeta que suportou os custos associados à sua edificação.

O trajecto escolhido coincidia, em linhas gerais, com o percurso do antigo aqueduto romano, construído aquando do povoamento da região, conjuntamente com uma barragem conhecida como Olissipo, que aproveitava as nascentes das Águas Livres integradas na bacia hidrográfica da serra de Sintra, na zona de Belas, a noroeste de Lisboa.

Foram designados alguns dos melhores arquitectos e engenheiros da época para o projecto, no qual se incluíram o arquitecto António Canevari, afastado poucos meses depois, após a nomeação por D. João V de uma comissão de direcção composta por Azevedo Fortes, José da Silva Pais e Manuel da Maia, a quem o monarca acaba por encarregar a obra no ano seguinte. Em 1736, esta passa a ser comandada por Custódio Vieira, a quem se deve o troço de Alcântara. Após a sua morte, no final da década de 40, a direcção é entregue ao búlgaro Carlos Mardel, sendo sob a sua alçada que a água chega finalmente a Lisboa, ocasião que motiva a construção do arco triunfal. Em 1746, inicia-se a construção do projecto das Amoreiras, o Reservatório da Mãe d’Água, que marcava o final do Aqueduto. No entanto, este só ficaria concluído em 1834, devido a atrasos nas obras causados pelo Terramoto de 1755.

Apesar de inaugurado em 1748, é nos reinados de D. José e de D. Maria que o Aqueduto adquire a complexa forma labiríntica que lhe conhecemos hoje, só tendo ficado definitivamente pronto em 1799, 68 anos após o início da sua construção.

Com 14 Km de extensão desde a nascente principal e diversos aquedutos subsidiários e de distribuição, o Aqueduto totaliza de 58 Km de comprimento distribuídos por 127 arcos. A parte monumental é composta por dois conjuntos distintos: a denominada Arcaria do Vale do Alcântara, com 941 metros de extensão e composta por 35 arcos, 21 de volta perfeita e 14 ogivais - utilizados neste troço devido às condições geográficas da zona, e cuja grande largura exigia uma capacidade de carga superior aos arcos de volta perfeita. É também aqui que existe o maior arco de todo o percurso, com uma altura de 65,29 metros, o que faz dele o maior arco em pedra do mundo; e o Arco da Mãe d’Água das Amoreiras, em forma de arco triunfal, tem como base um arco pleno ladeado por pilastras dóricas que suportam um entablamento com lápide votiva e frontão triangular.

Construção integrante do imaginário português, são várias as histórias associadas ao Aqueduto, sendo talvez a mais conhecida a do ladrão e assassino Diogo Alves, famoso pelos crimes que aí levou a cabo, nomeadamente, o assassinato de várias pessoas do alto do Aqueduto do Vale de Alcântara, fazendo confundir os seus actos com os muitos suicídios que aconteciam no local. Este acabaria por ser apanhado e condenado à morte por enforcamento em 1841, pouco antes da aplicação do decreto da rainha D. Maria II que aboliu a pena de morte. Estas acções levaram ao encerramento em 1853 da passagem conhecida como “O passeio dos Arcos”.

Na época da sua construção, o Aqueduto foi considerado a maior obra do mundo destinada à circulação de água, tendo-se transformado no símbolo máximo da evolução dos serviços de abastecimento de água de Portugal. Foi declarado Monumento Nacional em 1910 pela IGESPAR.

Em 1968 foi encerrado pela Companhia das águas, sendo hoje possível fazer visitas ao monumento.

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