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Câmara de Lisboa altera gestão dos Teatros Municipais


Imagem: Revista Evasões

A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, anunciou durante a semana passada várias alterações na rede de gestão dos teatros municipais, num plano que abrange 11 salas e que terá início na temporada de 2018/19. As maiores mudanças irão acontecer no Teatro Maria Matos, no Teatro Luís de Camões e no Teatro do Bairro Alto.

O Teatro do Bairro Alto - casa da companhia de Teatro da Cornucópia até 2016, data em que o seu dirigente Luís Miguel Cintra cessou actividade - irá entrar em obras nos próximos meses reabrindo em 2018 com a programação que estava, até então, no Teatro Maria Matos, focando-se em companhias emergentes e obras experimentais. Também no próximo ano, terá lugar um concurso para a escolha da direcção artística.

Fundado em 1880, pelo comerciante João da Cunha Açúcar e um dos primeiros teatros de bairro lisboetas, o Teatro Luís de Camões, em Belém, encontra-se actualmente em obras, prevendo-se a sua reabertura para o primeiro semestre de 2018 com a programação infantojuvenil do Maria Matos: será assim um dos novos equipamentos da cidade com 150 lugares e gestão directa da autarquia através da EGEAC.

Já o Teatro Maria Matos será alvo de uma das mais profundas mudanças, deixando no verão de 2018 de estar sob alçada da EGEAC e passando, nessa data, a ser gerido por privados, ainda que continuando a ser propriedade da autarquia. No início do próximo ano, será lançado o concurso para escolha da companhia ou do director artístico que ficará à frente da sala, estando definidos alguns dos requisitos a cumprir pelos concorrentes: “Programação ‘mainstream’ e de qualidade, produções com carreira longa [semanas ou meses em cartaz], espectáculos próprios ou acolhimentos e auto-sustentabilidade”, afirmou Catarina Vaz Pinto ao Observador.

Imagem: Ricardo Faria Paulino

Sem director artístico desde de Setembro, após a saída de Mark Deputter para a Culturgest, a nova gestão trará um novo ciclo à programação do espaço, passando a estar vocacionada para teatro de qualidade para grande público – comédia, drama ou teatro musical.

Para além da oposição dos principais partidos políticos à decisão camarária, com excepção do PSD, esta decisão do executivo socialista da autarquia está a enfrentar uma onda de contestação nos meios culturais, estando inclusivamente a circular através da internet uma petição pública que pede a continuação da gestão pública do Maria Matos.

Assinada até à data por cerca de 1500 pessoas, entre as quais se encontra o ex-director do teatro Mark Deputter, o programador Sérgio Hydalgo, o coreógrafo Bruno Cochat e o encenador e dramaturgo Ricardo Neves, a petição coloca em causa “…a cedência ao sector privado de um equipamento municipal público em pleno funcionamento e em reconhecido crescimento. E no qual, ao longo dos últimos 10 anos, se fez um investimento público continuado que abarcou obras de requalificação do espaço, a compra de equipamento técnico actualizado e de ponta, a formação de recursos humanos, a capacitação de agentes culturais e a formação de públicos diferenciados. Investimento este que não apenas fortaleceu o tecido cultural da cidade e do país como recolocou o teatro no território que lhe é circundante, e o tornou um ponto central de várias redes culturais internacionais.”

A patrimonio.pt procurará trazer este tema a debate, com confronto das várias opiniões, já nos próximos tempos.

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