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A Brincar… também se aprende! Jogos Tradicionais Infantis


Eis-nos de regresso com algo mais para partilhar acerca do que se fez ou vai fazendo em algumas escolas em matéria de património. Desta vez temos uma experiência “intra-muros” vivida e experienciada por nós há uns anos atrás, corria o ano de 2008. Entre os vários projectos desenvolvidos enquanto docentes do Curso Técnico de Património – Gestão e Divulgação, actualmente designado Técnico de Museografia e Gestão do Património, foi-nos proposta a elaboração de uma recolha de jogos tradicionais com vista à sua edição.

A primeira vez que abordáramos esta temática, em 2005, desenvolvêramos uma exposição alusiva aos Jogos Tradicionais Infantis, concebida, investigada, escrita, fotografada e divulgada por todos os alunos da turma e aberta ao público em geral, como acontecera com outras iniciativas. O sucesso da exposição foi partilhado por miúdos e graúdos, não fosse o tema “os jogos tradicionais” e todos termos sido um dia crianças. Nessa altura estávamos longe de imaginar que voltaríamos a mergulhar na infância. Em 2008 o desafio surgiu pela mão do Município da Batalha e da Associação de Desenvolvimento da Alta Estremadura que, numa parceria com a Escola1, permitiu a materialização deste projecto. Porque já na altura acreditávamos na qualidade da formação profissional, partilhámos a decisão da escola de envolver os Técnicos de Património ali formados. O convite foi aceite por uma aluna com o mesmo entusiasmo que viveu cada uma das aulas do curso. Foi então o momento de colocar em prática as aprendizagens feitas nos três anos de formação, de aplicar as competências desenvolvidas em matéria de Património: saber ler o mundo à nossa volta. Assim que nos foi dada luz verde para iniciarmos a tarefa, metemos mãos-à-obra. Definimos as etapas e iniciámos a pesquisa. Depois da experiência anterior, sabíamos que seria impossível elencar a extensa lista de jogos que povoam o imaginário das crianças que um dia fomos. Como em qualquer trabalho de investigação, impunha-se definir limites e critérios. A ideia era reunir uma amostra significativa de jogos tradicionais infantis, elencá-los, recordar as regras que sempre ouvimos repetir e passá-las para o papel, definir os materiais necessários, caso existissem. Numa segunda fase impunha-se fotografar crianças e jogos em contexto real.

Ao longo do trabalho, demos conta que, ao longo da nossa infância, nunca tínhamos lido quaisquer regras, embora sempre – ou quase sempre – as tivéssemos cumprido. De facto, passámos a infância a saltar à corda e ao eixo, a correr, a jogar às escondidas e à apanhada, sem sonhar que cada gesto renovava uma memória oral de gerações e gerações e contribuía para a sua perpetuação. A edição de um livro que reunisse um conjunto de jogos tradicionais infantis e os registasse pretendia isso mesmo: impedir que esse legado do imaginário infantil partilhado por muitos de nós caísse no esquecimento, registar as regras que ouvíramos repetir por alguém, que por sua vez ouvira de outro alguém e assim contribuir para a conservação de um património cultural que, dada a sua natureza, é passível de desaparecer. E assim nasceu A Brincar… também se aprende! Jogos Tradicionais Infantis – um livro pensado e elaborado com base num trabalho feito em sala de aula, construído num permanente diálogo professor/aluno e concebido com dois objectivos: perpetuar o património lúdico das crianças que um dia fomos, - num tempo em que as brincadeiras e o riso eram vividos de forma alheia à existência do computador -, e permitir que as crianças de hoje possam saborear o prazer de experimentar estes jogos numa rua, num pátio ou no recreio da escola. Agrupados em categorias definidas em função das diferentes capacidades que estimulam: agilidade, equilíbrio, força, memória, etc., este livro permite-nos ir ao encontro duma variedade de jogos como a Macaca, o Mata, o jogo da Corda, a Corrida de Cântaros e muitos, muitos outros. 1 Escola Profissional de Artes e Ofícios Tradicionais da Batalha, integrada no Agrupamento de Escolas da Batalha.

#HERITAGEKIDS #EDUCAÇÃO #ESCOLA

BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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