NOTÍCIAS | A nova Albuquerque Foundation
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A nova Albuquerque Foundation
o acervo de cerâmica e a programação contemporânea
Aberta ao público em 2025, a Albuquerque Foundation estabelece-se como uma instituição que "visa promover o debate e a reflexão sobre o significado artístico, cultural e histórico da produção cerâmica". Sediada numa propriedade do final do século XVIII em Sintra, renovada pelo escritório Bernardes Arquitetura, foi antes uma casa de férias da família do engenheiro e colecionador brasileiro Renato Albuquerque.
A antiga Quinta ganhou uma nova vida, transformando-se num complexo museológico que alberga hoje um acervo extraordinário de cerca de 2600 peças com foco na porcelana chinesa de exportação acumuladas ao longo de seis décadas. Acordando com a Fundação, a colecção "abrange obras criadas ao longo de seis séculos de história, com ênfase na porcelana de exportação das dinastias Ming e Qing", sendo que a maior parte do espólio se situa entre os séculos XVI e XVIII.
A transição do espólio do ambiente íntimo para a esfera pública resultou de um incentivo familiar coordenado pela neta de Renato Albuquerque, Mariana Teixeira de Carvalho, membro do Conselho de Administração da Fundação. A visão partilhada transformou o tesouro privado na Fundação num bem de estudo científico e fruição colectiva. De acordo com a Fundação, a programação expositiva da instituição "articula-se em mostras de longa duração das peças da Coleção Albuquerque de Cerâmica Chinesa e em exposições de artistas contemporâneos de nível internacional que atuam no campo ampliado da cerâmica."

A nível de infraestruturas, a Fundação disponibiliza ainda uma biblioteca especializada que é parte da coleção, uma loja com peças de autor artesanais desenvolvidas por ceramistas residentes em Portugal, e o restaurante Albú, focado numa gastronomia sustentável e regional.
Ao entrar no museu, o visitante é confrontado com a marcante escadaria em espiral - uma referência à antiga galeria pessoal do colecionador. O percurso da exposição inaugural Connections permite ao público ver as reservas técnicas das peças de porcelana através de divisórias envidraçadas. Nesta mostra, comissariada pela especialista norte-americana Becky MacGuire, a narrativa privilegia a organização temática em detrimento da ordem cronológica. Esta abordagem destaca os intercâmbios transculturais gerados pelo comércio global da porcelana.
A transição entre a salvaguarda e divulgação desta herança secular e as correntes artísticas atuais processa-se através de uma ideia de transparência, que se materializa tanto na arquitectura como na curadoria. A escolha de expor as reservas técnicas por detrás de vitrines de vidro desmistifica o conceito tradicional de museu-arquivo e introduz uma linguagem marcadamente atual. No entanto, o elo de ligação entre os dois mundos reside na premissa de que a cerâmica histórica da coleção é o resultado de uma fusão viva de influências globais, técnicas e estéticas que viajavam sem fronteiras.

É precisamente este carácter mutável que serve de plataforma de lançamento para a vertente da programação contemporânea da Fundação. Idealizado por Mariana Teixeira de Carvalho, este vector artístico tem como propósito colocar o acervo em diálogo directo com criadores atuais que exploram a cerâmica no seu sentido mais autoral. Ao fazê-lo, a instituição não só atrai públicos mais heterogéneos, como impede que a coleção se feche sobre si mesma, estabelecendo uma comunicação intemporal contínua entre a arte do passado e do presente e temáticas que atravessam os tempos como a globalização, relações mercantis e coloniais, encontros multiculturais.
Este diálogo vivo expande-se fisicamente além do edifício principal, uma vez que, ao atravessar o jardim, os visitantes encontram um pavilhão autónomo concebido para acolher exposições temporárias. Para além disto, o piso superior do museu integra ainda um apartamento com três quartos dedicado a artistas e investigadores residentes, garantindo que a matéria-prima histórica continue a gerar novas interações na atualidade. Segundo a Fundação, "Artistas, académicos e curadores serão regularmente recebidos para residências de curta e média duração, nas quais o estudo da coleção poderá tornar-se o ponto de partida para difusão e proliferação de conhecimento por meio de novas produções artísticas, trabalhos académicos e exposições inovadoras.
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Junho 2026











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