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Zona de Couros de Guimarães – no passado local de trabalho, no presente património


“Rio de Couros. Rio por onde correm muitos rios. Bem tentam os homens represar as águas, conduzi-las a estes tanques. E conseguem, por momentos. Que depois tudo flui. Corre a indústria dos curtumes, são passadas e repassadas as inumeráveis peles de animais numa correnteza cruenta e insalubre. Correm também seu curso as palavras, que no tempo já se esquecem: abaldoar, atabicar, lavar, surrar, engordurar… Palavras, gestos e saberes de rios que passaram. Outro curso é o das vozes: gritos, chamamentos, ordens de trabalho, cantos esforçados, rudes impropérios. Parece que ainda se ouvem, mas passaram, correram, fluíram. Como as gerações, as inumeráveis gentes de trabalho, que aqui mergulharam os seus corpos, a sua pele, deixando marcas de vida, de luta e de labor. Entretanto o rio corre, levando consigo os outros rios. Rio de Couros: o seu sulco, a sua correnteza é, afinal, o que persiste, o movimento que, enfim, mais permanece.” Carlos Poças Falcão, 2012

O Centro Histórico de Guimarães foi classificado como Património Mundial pela UNESCO em 2001. Agora, pretende-se alargar a área classificada passando a incluir a zona de manufaturas de curtume. Foi naquele local que, desde a Idade Média, na parte exterior das muralhas e junto ao rio, se desenvolveu esta atividade integrando mais de 15 unidades industriais e uma vasta extensão de tanques de curtimento. O “burgo dos couros” como assim era chamado, constituía a área mais insalubre da povoação pelas características inerentes ao tipo de trabalho nada fácil…

Apesar da atividade ter entrado em declínio na segunda metade do século XX, foi apenas em 2005 que encerrou a última fábrica de curtumes.

Fontes: CM Guimarães, Turismo de Guimarães e TVI


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