BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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A actualidade do património cultural em Portugal

Um projecto

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Gonçalo Cardoso


Nome completo: Gonçalo José Lopes Pereira Cardoso

Local e ano de nascimento: Ourém, 1975 Formação académica: Licenciatura em História Variante História da Arte – FLUP; Pós- Graduação Museologia e Património FSCH- UNL; Diploma Estudos Avançados Turismo, Lazer e Cultura - FLUC

Cargo actual ou último cargo desempenhado: Diretor CONSOLATA MUSEU | Arte Sacra e Etnologia – Fátima

Como foi o seu percurso profissional? Por onde começou e por onde passou?

Em 1999 profissionalizei-me em ensino da História. Não conseguindo obter colocação no ensino, optei por enviar um currículo para um só museu que visitara um mês antes, o Museu de Arte Sacra e Etnologia, em Fátima, pelo qual me “apaixonara” de imediato. Em 2000 inicio um estágio profissional de nove meses, tendo sido convidado a permanecer como técnico superior. Em 2005 fui convidado para o dirigir, cargo que ocupo até hoje.

Até ao presente e do ponto de vista profissional, qual elegeria como o projecto mais relevante que levou a cabo, para o sector do património?

Ao nível do meu local de trabalho, destaco as atividades que transformaram o museu num local dinâmico e aberto à comunidade, onde através delas se transmitem conhecimentos sobre conservação do património, sua importância e significado, missão, investigação, destando-se a dimensão evangelizadora por ser um museu missionário, da tutela da igreja católica, o único do género no nosso país.

Paralelamente, durante alguns anos, fui representante da Conferência Episcopal Portuguesa no Conselho Nacional de Cultura, dando os meus contributos e pareceres sobre projetos e linhas orientadoras de programas de financiamento para a valorização do Património. Foi um cargo que muito me honrou e satisfez.

E qual ‘aquele projecto’ que ficou por fazer ou completar?

Um projeto com algumas experiências piloto foi a criação no museu de um laboratório de conservação e restauro que além de realizar intervenções no nosso acervo, realizava trabalhos para entidades exteriores, como forma de obtenção de receitas. Questões de recursos humanos obrigaram a uma paragem para avaliação do projeto. Desejamos retomá-lo, assim que nos seja possível.

Qual a experiência humana que mais o marcou ao longo da sua vida profissional (colega, chefe, grupo de trabalho)?

A criação da Liga de Amigos do Museu foi marcante para um espaço museológico com parcos recursos humanos. É uma liga de amigos que funciona muito bem, dando-nos apoio em muitas das nossas iniciativas. Além disso, ter por exemplo participantes jovens adultos nas atividades que promovemos, transmitindo-nos amiúde que vieram a este museu em crianças e que criaram a partir daí hábitos de visita a museus. Tudo isto é muito compensador, ao confirmarmos que o museu consegue cumprir algumas das suas missões.

Em retrospectiva, e numa escala de 0 a 10, como classificaria o seu percurso profissional?

Confesso que não aprecio avaliação quantitativa, mas sim qualitativa.

Se voltasse atrás, fazia algo diferente?

Penso que não. Tudo o que desenvolvi foi consoante as disponibilidades humanas e financeiras possíveis, sempre com entrega e empenho de uma pequena, mas muito motivada equipa, com verdadeiro sentido de entrega e missão.

Que conselho daria a quem está hoje a iniciar a sua carreira profissional nesta área?

O conselho que posso dar é que não desistam perante os obstáculos encontrados, que serão muitos neste mundo do património e da cultura. Não esqueçam também a essência da missão do museu, não o adulterando em função de interesses e pressões externas.

O que deseja para o sector do património em Portugal, no presente e no futuro mais próximo?

Desejo que continue a valorizar-se ao nível da conservação e mais ainda ao nível da investigação. A pressão turística conduz muitas vezes à primazia do aspeto visível, do que é belo, do que impressiona, relegando para um plano secundário os aspetos da investigação e do reforço de recursos humanos desta área científica.

As sugestões de Gonçalo Cardoso:

Citação: “Mas corto as ondas sem desanimar. Em qualquer aventura, o que importa é partir, não é chegar”. Viagem, Miguel Torga

Livro: IGREJA CATÓLICA. Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja - La funzione pastorale dei musei ecclesiastici (Lettera circolare, Città dei Vaticano, 15 Agosto 2001)

Música: "Açores", Rodrigo Leão

Projecto: patrimonio.pt

* O texto desta entrevista foi escrito de acordo com o Novo Acordo Ortográfico.