BIENAL AR&PA 2019

OPINIÃO

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A actualidade do património cultural em Portugal

Um projecto

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Joaquim Costa


Nome completo: Joaquim Luís Oliveira Costa

Local e ano de nascimento: Porto, 22 de maio de 1976 Formação académica: Doutorado

Cargo actual ou último cargo desempenhado: Técnico Superior

Como foi o seu percurso profissional? Por onde começou e por onde passou?

O meu percurso profissional principia em 2003 como Catalogador na Porto Editora Lda., passando nesse mesmo ano a desempenhar funções de Bibliotecário no IPAM – Instituto Português de Administração e Marketing, Matosinhos. Em 2004, inicio a atividade de Documentalista na FRESS – Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, em Lisboa, até junho de 2007, quando começo a exercer funções de Técnico Superior na Biblioteca Municipal de Felgueiras. Maio de 2010 marca o início da minha ligação à VALSOUSA – Associação de Municípios do Vale do Sousa, através da Rota do Românico.

Onde está hoje e o que faz?

Exerço funções na Rota do Românico, especialmente no Serviço Educativo, na realização de atividades lúdicas e pedagógicas nas escolas dos doze concelhos do projeto.

Até ao presente e do ponto de vista profissional, qual elegeria como o projecto mais relevante que levou a cabo, para o sector do património?

Passei por várias instituições nas quais a divulgação e promoção do património (artístico, documental e patrimonial) eram uma constante, como foi o caso da FRESS na proteção e divulgação das artes decorativas portuguesas e ofícios com elas relacionadas ou na Biblioteca Municipal de Felgueiras, onde se promoveu junto das crianças o património de Felgueiras, através de atividades lúdicas e pedagógicas, como horas do conto, teatro de fantoches, sessões de sensibilização ou exposições. Mas, apesar destas experiências, todas elas enriquecedoras, o melhor projeto tem sido o Serviço Educativo da Rota do Românico. O ato de estar constantemente no "terreno", todos os dias, com diversas atividades e públicos diferentes é sem dúvida enriquecedor.

E qual ‘aquele projecto’ que ficou por fazer ou completar?

Quem trabalha no setor do património terá sempre projetos por fazer ou completar. Um que estará sempre por completar é o Projeto Pedagógico da Rota do Românico: direcionado para os alunos do 4.º ano, do 1.º ciclo do ensino básico, este projeto pretende assumir-se como um instrumento fundamental para a definição e realização de um amplo e continuo programa de educação patrimonial, capaz de difundir e valorizar o legado histórico da sub-região do Tâmega e Sousa. O programa a desenvolver reúne um conjunto de atividades e abordagens lúdico-pedagógicas, que permitem reforçar laços da identidade cultural, promover o orgulho no território, criando importantes instrumentos para a conservação e preservação atual e futura do património.

Qual a experiência humana que mais o marcou ao longo da sua vida profissional (colega, chefe, grupo de trabalho)?

Destacaria o coletivo e, em especial, os meus atuais colegas de trabalho na VALSOUSA – Rota do Românico. Vivemos da entreajuda em que todos se completam.

Em retrospectiva, e numa escala de 0 a 10, como classificaria o seu percurso profissional?

Dava um 5. Não porque me sinto insatisfeito com o que fiz, mas porque considero que ainda existe muito para fazer. Darei, possivelmente, um 9 no último dia de trabalho, antes da aposentação. O 10 virá depois, porque continuarei ligado ao sector.

Se voltasse atrás, fazia algo diferente?

Não. Acho que não devemos olhar para trás.

Que conselho daria a quem está hoje a iniciar a sua carreira profissional nesta área?

Acima de tudo, ser modesto e reconhecer que temos virtudes mas, também, defeitos.

O que deseja para o sector do património em Portugal, no presente e no futuro mais próximo?

Acima de tudo mais investimento na recuperação do nosso património. Temos muito património degradado e que deveria ser objeto de intervenção. Não faltam exemplos, sendo incompreensível o desmazelo a que muitos chegaram! Mais que uma atitude política, moral ou social, olhar pelo nosso património é uma questão de respeito por nós próprios.

As sugestões de Joaquim Costa:

Citação: "Nos livros aprendi a fugir ao mal sem o experimentar" - Camilo Castelo Branco, romance O bem e o mal, 1863.

Livro: Utopia de Thomas More.

Embora publicada em 1516, no período renascentista, a obra expõe questões atuais e apresenta alternativas ao que está instituído, sendo que o ser humano encontra-se no centro do mundo e está nas suas mãos decidir o seu destino. Música: Always On My Mind, versão de Willie Nelson.

Projecto: Sou suspeito, mas sugiro a Rota do Românico. Um bom exemplo do que se pode fazer pelo património, sem esquecer qualquer dos seus aspetos, desde a promoção e divulgação, conservação e salvaguarda, passando pela educação e a investigação.

* O texto desta entrevista foi escrito de acordo com o Novo Acordo Ortográfico.