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Carta aberta da ARP - Associação Profissional de Conservadores-Restauradores de Portugal

 

A ARP fundada em 1995, membro da E.C.C.O. (European Confederation of Conservator-Restore Associations) desde 2001 e que desde 2007 integra a Secção dos Museus da Conservação e Restauro e viagra price canada do Património Imaterial no Conselho Nacional da Cultura (SMUCRI) vem, no seguimento das notícias que têm vindo a público sobre o restauro efectuado num conjunto de esculturas do Santuário da Nossa Senhora das Preces, em Oliveira do Hospital, clarificar a correcta atribuição e utilização do título profissional de Conservador-restaurador, bem como, a sua missão no contexto da intervenção em Património Cultural.

 

A intervenção em causa não cumpre claramente os critérios fundamentais que regem as intervenções de conservação e restauro, evidenciando uma ausência total do respeito pelo valor original e único de todo e qualquer bem cultural, e é contra os princípios essenciais do código deontológico que rege a profissão. São conhecidos vários casos de intervenções em Património Cultural, apelidadas de cialis gel conservação e restauro, que desrespeitam o carácter de originalidade e valor do bem patrimonial. São executadas por profissionais não qualificados, desconhecedores das boas práticas da conservação e completamente alheios aos princípios e metodologias que regem o exercício desta profissão. O resultado inevitável, é a perda, por vezes irreversível, do nosso património.

 

A Convenção de Faro, aprovada pela Resolução da Assembleia da República n.º 47/2008, incorpora o conceito de que todo e qualquer Património Cultural é um direito inerente ao Homem, sendo a sua preservação da responsabilidade individual e colectiva de cada sociedade. A valorização deste Património Cultural consegue-se através da sua identificação, estudo, interpretação, protecção, conservação e apresentação. O direito a este Património Cultural está sujeito apenas às restrições necessárias existentes numa sociedade democrática, para a protecção do interesse público. Prevê, também, que a sustentabilidade do património cultural assenta igualmente na promoção de uma elevada qualidade nas intervenções nesse mesmo património, através dos sistemas de qualificação e acreditação profissionais das pessoas, das empresas e das instituições.

 

Esta Convenção prevê, também, que a sustentabilidade do património cultural assenta na promoção de uma elevada qualidade nas intervenções desse mesmo património, através de sistemas de qualificação e de acreditação profissionais das pessoas, das empresas e das instituições.

 

Estes princípios estão presentes igualmente noutras Cartas e usa cialis Convenções de salvaguarda do Património Cultural, onde a defesa do Património Cultural é uma responsabilidade da sociedade no seu todo, um direito de cidadania, e uma das missões importantes do Estado.

 

É neste âmbito que o Conservador-restaurador, no interesse do bem público, cumpre a sua função como o profissional que mais directamente actua na salvaguarda deste património, sendo assim de vital importância o perfil deste profissional, assim como os seus deveres, competências e obrigações. Apesar da profissão de Conservadorrestaurador não se encontrar ainda regulamentada, esta tem sido alvo de we like it viagra online canada consecutivas definições na legislação nacional e europeia, e objecto da missão e trabalho da ARP desde a sua fundação, através da defesa e da promoção do estatuto profissional do Conservador-restaurador, bem como, da preocupação com a protecção e salvaguarda, de forma prática, científica e cultural do património artístico móvel e imóvel. Este fim é alcançado pelo cumprimento dos Conservadores-restauradores a um Código de Ética e pela observância de um conjunto de competências consideradas indispensáveis ao acesso à profissão.

 

Estes princípios encontram-se espelhados nos estatutos da ARP, que reconhece o título de "Conservador-restaurador" unicamente a um profissional que possua uma formação académica superior exclusivamente na área da Conservação de Restauro de 5 anos, em consonância com as directrizes da ENCoRE (European Network for Conservatio-Retsoration Education) para o ensino superior de Conservação e Restauro, estando todas as excepções reconhecidas contempladas na legislação portuguesa. De igual modo, em relação às competências necessárias ao acesso e www.professionalbiotech.com prossecução da profissão com o título de "Conservador-restaurador”, que são expressas em vários documentos internacionais, como: "The Conservator-Restorer: a Definition of the http://extended-aftercare.com/purchase-cialis-usa Profession, Copenhaga, ICOM-CC, 1984, a "E.C.C.O. PROFESSIONAL GUIDELINES (III)", Bruxelas, E.C.C.O. 2004 e a publicação "Competences for access to purchase viagra online no prescription the Conservation-restoration profession" Germany, E.C.C.O. 2011.

 

Estes princípios são defendidos, por legislação nacional em vigor, relativa à definição e reconhecimento do Conservador-restaurador, das suas competências e responsabilidades, nomeadamente:
- a definição das carreiras de Museologia e Conservação e Restauro na Administração Pública estabelecida pelo Decreto-Lei n.º 55/2001, de 15 de Fevereiro,
- a Lei Base do Património Cultural, Lei nº 107/2001 de 8 de Setembro, que obriga que os estudos e projectos para as obras de mynano.com.my conservação, modificação, reintegração e restauro em bens imóveis e móveis classificados, ou em vias de classificação como tal, sejam da responsabilidade de técnicos de qualificação legalmente reconhecida ou sob a sua responsabilidade directa,
- a responsabilidade das intervenções em Património Classificado por técnicos de qualificação legalmente reconhecida ou sob a sua responsabilidade directa, estabelecida pelo Decreto-Lei n.º 140/2009, de 15 de Junho, e também na Lei Quadro dos Museus Portugueses estabelecida pelo Decreto-Lei 47/2004 de 19 de Agosto.


A legislação é bastante clara sobre as capacidades técnicas e académicas exigidas para o exercício da profissão de conservador-restaurador de Património Cultural classificado em território português.

 

A ARP considera, no entanto, que a existência de irregularidades na utilização indevida do título de Conservador-restaurador não deverá ser permitida nem desejada por todos os intervenientes na salvaguarda do Património Cultural, esteja este classificado, em vias de classificação ou não, uma vez que pode traduzir-se num prejuízo irreversível para o nosso património cultural.

 

A ARP tem, desde a sua fundação, procurado junto dos organismos competentes do Estado, alertar para a regulamentação, defesa, e cumprimento de normas e leis nacionais e internacionais que regem as intervenções de conservação e restauro do património cultural classificado. Existem, contudo, mecanismos para esclarecimento e www.umlauf.de apoio através de várias instituições, como sejam a Direcção-Geral do Património Cultural e as Direcções Regionais da Cultura, ICOM-PT, APOM, o Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja assim como a ARP, no sentido de esclarecerem o cidadão sobre as boas práticas a cumprir nas intervenções de conservação e restauro em Património Cultural não tutelado pelo estado, sobre os critérios metodológicos, assim como, na correcta identificação de um profissional qualificado, podendo a sociedade livremente aceder a esta informação fidedigna.

 

Na perspectiva da ARP, a solução destas ocorrências prende-se com a necessidade de www.orangeburgsc.net reconhecer a importância do conservador-restaurador como profissional que presta um serviço público, do seu papel na salvaguarda do património como interveniente na preservação da nossa cultura e identidade, e na tomada de consciência de que o património é um bem comum e deve ser preservado em todos os seus valores. No entanto, no panorama actual assiste-se à proliferação de cursos e acções de formação de curta duração, ministrados, por vezes, por formadores que não possuem a formação académica exigida a um conservador-restaurador e com um âmbito que se destina ao público em geral, que são manifestações contrárias ao que os conservadores-restauradores advogam para a sua profissão e para os seus princípios éticos.

 

Para este caso em particular, ocorrido há já vários anos, não obteve então a visibilidade que é hoje possível, e tratando-se de um caso extremamente grave, infelizmente não é único. Esperamos que, ao estar envolto em tanta polémica, sirva uma vez mais como alerta para os riscos das intervenções de Conservação e Restauro no nosso Património Cultural quando não são executadas por técnicos devidamente qualificados para as intervenções.

 


Rui Câmara Borges

Presidente da ARP

Lisboa, 20 de Fevereiro de 2014

 

 

 

 

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20 Mar 2017 | Virgílio Hipólito CorreiaCapa: Ruínas Conimbriga (Fotografia retirada de: http://www.conimbriga.pt).

(IN)SUFICIÊNCIA IGNORANTE E (IN)CAPACIDADE POLÍTICA

 

O frenesim mediático que há dias envolveu a “promoção” de Conimbriga a Museu Nacional revelou algo do pior que ocorre por sistema na política cultural portuguesa, conduzindo a uma discussão ociosa, prejudicial e http://otherwhere.co/drug-viagra inoportuna.




A discussão é ociosa porque, na verdade, Conimbriga sempre foi “Nacional”. Monumento Nacional desde 1910; Ruínas de Conimbriga na tutela da Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais desde 1930; Museu Monográfico de Conimbriga na tutela do Ministério da Educação desde 1962; serviço desconcentrado da Administração Central do Estado, na dependência do Instituto Português do Património Cultural, com um diretor equiparado a diretor de serviços, desde 1980.

Houve, obviamente, percalços neste percurso. Nos anos 90, uma remodelação de leis orgânicas colocou o Museu na dependência do Instituto Português de Museus e as Ruínas na dependência do Instituto do Património Arquitectónico e Arqueológico; teria sido ridículo se não tivesse sido grave e, de facto, numa janela temporal que correspondeu a todo o 2º Quadro Comunitário de Apoio, nenhum investimento se fez em Conimbriga. A situação veio a resolver-se noutra (das muitas) remodelações de leis orgânicas e a vida retomou o seu curso normal.

Algo de semelhante ocorreu em 2012, quando foi criada a Direção-Geral do Património Cultural (que veio a reunir no seu seio todas as instituições que anteriormente tutelavam o Património Cultural em Portugal): Conimbriga foi retirada da estrutura nuclear da DGPC e as competências do seu diretor reduzidas pela sua diminuída equiparação a chefe de propecia uk cost divisão.

Neste contexto, a presente intenção política podia (e talvez devesse) ser lida como o simples retomar da normalidade, daí a ociosidade da discussão.

Mas a um nível mais profundo, não é disso que se trata, e por estar descentrada do real problema, a discussão, sobre ociosa, é prejudicial.

Devemos remontar a 2010 para compreender correctamente o problema. Nesse ano veio a lume um documento, a vários títulos lamentável, intitulado “Museus para o século XXI”, que carreou para a discussão pública um conjunto de noções que estavam, tanto quanto os técnicos mais envolvidos nas matérias podiam julgar e se permitiam esperar, pacificamente enterrados.

O documento surgiu no âmbito de uma discussão política sobre a oportunidade de, provado o esgotamento do modelo parcelado de tutela do Património Cultural (o país chegou, na viragem do século, a ter cinco Institutos e Direções-Gerais diferentes a tutelá-lo), se regressar ao modelo concentrado do Instituto Português do Património Cultural. Esta era e cheap cialis 20 mg 60 pills é uma discussão importante.

Mas veio a verificar-se que a discussão se centrou, por força das circunstâncias, não nas virtudes e defeitos do melhor modelo para o país, mas na operacionalidade das instituições no terreno. E, nestas circunstâncias, a tutela reconheceu – muito erradamente – a impossibilidade de gerir adequadamente os Museus que lhe estavam confiados e colocou em discussão a transferência de alguns deles para tutelas regionais ou municipais. Como alguém, muito clarividentemente, apontou na altura: uma solução que em nada beneficiava os Museus e apenas resolvia os problemas dos serviços centrais. Pode acrescentar-se o adágio popular: “Olhos que não veem, coração que não sente”.

Como dizia, esta situação rompeu com o consenso criado no país na sequência do Inquérito aos Museus em Portugal (1998): a existência de uma Rede Portuguesa de Museus, agrupando as instituições que, para além dessa designação (que são inúmeras, e muitas muito pouco qualificadas) possam como tal ser certificadas, tendo no seu núcleo um conjunto de Museus, dependentes da Administração Central do Estado que, por mais antigas, mais robustas do ponto de vista técnico e melhor financiadas, desempenham um papel crucial. A orgânica da DGPC e das Direções Regionais de Cultura rompeu com esta situação e, nomeadamente na região centro, houve movimentos muito prejudiciais de usefull link cialis cost desarticulação da rede e de degradação dos seus nós.

Sobre a capacidade, ou falta dela, de gerir os Museus, tive oportunidade de escrever* que:

“a ingovernabilidade dos institutos públicos existe devido à política administrativa concentracionária dos poderes nas sedes submetidas à directa superintendência do poder político e à inexistência de uma efectiva delegação de competências (e de capacidade orçamental própria) às instituições que, no terreno, asseguram a efectiva tutela, salvaguarda, conservação e gestão do Património. No caso do Instituto Português de Museus, através de sucessivas remodelações da sua lei orgânica (e das posturas das suas sucessivas direcções), este fenómeno tem-se manifestado numa oscilação do conceito do instituto entre o papel de um coordenador e facilitador da actividade dos Museus e o papel de um organismo central dotado de repartições ‘desconcentradas’, na prática desprovidas de capacidade decisória e actuante. O primeiro destes conceitos beneficia de, e sobrevive graças à, tradicional autonomia pessoalizada da figura do Director do Museu, que se impõe ainda como poder fáctico, quer a nível local, quer a nível central. Mas o conceito concentracionário impera, sobretudo desde o Programa de Reforma da Administração Central do Estado, implementada desde 2000, sob a figura do “alinhamento dos objectivos” dos vários níveis institucionais envolvidos (a nível autárquico os mecanismos são outros, mas é a mesma a situação).”

E sobre a evolução da situação pude observar** que

“a um nível orgânico mais geral, assistiu-se entre 2011 e 2012 à interrupção da existência do Ministério da Cultura e dos seus institutos de tutela do Património, fundidos numa renascida Direcção Geral do Património Cultural. Mantêm-se, fora de look here cheap viagra paypal Lisboa, as Direcções Regionais de Cultura, mas sem competências autónomas (todos os processos necessitam de ser referendados pela DGPC). Nesta remodelação os Museus dependentes do Estado central sofreram o que se tem de qualificar como um massacre. Dos 40 Museus e Monumentos que dependiam do Ministério da Cultura, através do IMC ou do IGESPAR, os 35 que ainda dispunham de orçamento próprio (os do IMC), perderam-no. 18 instituições foram relegadas a posições secundárias, fosse por terem passado a depender das Direcções Regionais (o que somou mais um nível de decisão à sua tutela), ou fosse por, mantendo-se na DGPC, não fazerem parte da sua estrutura nuclear. Sete Museus, pura e simplesmente, deixaram de ter Director, que passaram a dividir com outros Museus, a distâncias que chegam a atingir uma centena de quilómetros. Por outro lado, Museus que se esperava poderem ganhar autonomia, por para tal reunirem todas as condições (como Tongobriga, Mirobriga ou Santa-Clara-a-Velha), aguardam melhores dias para conseguirem o seu reconhecimento administrativo.”

O argumento principal de levitra website aligeiramento das estruturas (tendo como objetivo a redução de encargos) foi, e continua a ser, uma enorme falácia. Enquanto se alijaram responsabilidades no terreno e se descartaram instituições, o peso (e o custo), a inércia e a ingovernabilidade das estruturas centrais foram sempre em crescendo. No limite, viremos um dia a ter em Portugal a solução “ideal” de uma enorme burocracia central que, na realidade, nada tutela e nada governa do Património Cultural entregue à lei da selva, mas se vai alimentando a si própria dos dejetos que outras suas partes vão produzindo.

E era este conjunto de assuntos que devia ser discutido, se quiséssemos que a discussão, sobre ociosa, não fosse prejudicial. Na verdade, de que serve um museu ser Nacional, Municipal ou Monográfico, se não dispõe de autonomia técnico-científica e vive sob o império momentâneo de um Diretor-Geral, Presidente da Câmara (ou… da Junta de Freguesia ?). Como podemos garantir aos Museus a capacidade jurídica de exercer em pleno as funções museológicas que a Lei-Quadro dos Museus lhes atribui e a sociedade exige que se cumpram? Qual é o melhor quadro, Museu-a-Museu, para esse exercício? Por fim, quanto é que isso custa e é esse custo suportável?

A discussão está completamente invertida. A sub-orçamentação impera de uma forma avassaladora: os Museus do Estado têm neste momento os seus orçamentos tão esmagados que uma parte muitíssimo substancial das suas despesas certas e permanentes -nomeadamente os vencimentos dos funcionários, por isso mesmo reduzidos a níveis mínimos de satisfação das necessidades, quando não abaixo desses mínimos - depende das próprias receitas que geram, e a capacidade para continuar a assegurar o papel basilar nas cadeias de valor do turismo está, para todos os que querem ver com limpidez, posta em causa. Nesta situação, a discussão dos quadros de imnl.nl tutela é uma luta de tração, com um olho na cor do adversário e o outro na “gaveta das coroas”. As funções museológicas na maioria dos casos, estão reduzidas a ter a porta aberta, até porque todo o reforço de meios humanos e toda a renovação geracional dos quadros técnicos está concentrada nos serviços centrais; os Museus só recrutam vigilantes, aliás sob formas inadequadas à satisfação de funções e necessidades permanentes.

Mas então, pode perguntar-se, porque se discutiu, a importância de um museu ser “Nacional”, com um caráter tão mais veemente do que se discutiria “a importância de ser Ernesto” (Oscar Wilde)? (E tenhamos bem presente que essa foi a discussão).

Porque a focalização numa única palavra e no critério de presença/ausência numa denominação que se muda por decreto, sem nada alterar nas condições efetivas da instituição no terreno é o produto único, necessário e inevitável de uma tutela (política e dita-técnica ao nível mais alto) sem competência, vivendo numa bolha, a partir da qual tenta exercer as suas funções mascarando a sua completa irrelevância política.

Porque a verdade é uma: o país não tem uma Política do Património Cultural e é até duvidoso que tenha uma Política Cultural, ponto. Secretaria de Estado ou Ministério, a tutela política nunca teve peso específico, honra seja feita a algumas exceções no início da década de 90, por outro lado revestidas de aspectos de que não importa tratar aqui.

A tutela política da Cultura existe para exercer o papel mecenático que o Estado entende ter junto de algumas clientelas mais vocais na capital, vender frigoríficos aos esquimós (peço desculpa, lapso freudiano. Queria dizer: “promover a língua portuguesa”) e, no que diz respeito ao Património Cultural, cortar fitas em inaugurações.

Mas isto não impede que a Direção-Geral se empenhe ativamente no reforço do seu poder fáctico e, no momento em que politicamente se empreende uma fase de tramadol hydrochloride descentralização de competências, é preciso trabalhar rapidamente no sentido de algumas dessas competências no terreno serem mantidas (não vá alguém, a seguir, questionar a dimensão de uma estrutura de gestão desproporcionada relativamente ao objecto gerido).

Também para isso é necessário garantir a paz interna e o silêncio dos responsáveis intermédios, que não convém que tenham, e muito menos manifestem, dúvidas ou divergências quanto ao rumo a seguir (o Instituto Nacional de Administração chamava a isto, como referi, “alinhamento dos objectivos”, numa tentativa serôdia de aplicar à Administração Pública os modelos de gestão da General Motors, que entretanto faliu). Para tal desiderato basta, arbitrária e ilegalmente, mandar toda a gente a concurso para se manter no lugar. Resultados garantidos e problemas mínimos: a tutela política assina de cruz; não há clientelas a reclamar e, de qualquer maneira, a comunicação social não quer saber.

Este exercício de poder à maneira de only today buy uk viagra Talleyrand (“proteger os amigos, perseguir os inimigos e aplicar a lei aos indiferentes”) traz-nos à última característica da discussão - a sua inoportunidade: estamos do lado oposto da realidade, atrás de uma cortina de fumo que, enquanto sopramos para dissipar a nuvem, nos oculta o que se está a realmente a fazer, até ser demasiado tarde. Uma regionalização rejeitada em referendo, mascarada de uma necessária e sempre aguardada descentralização (pela verdadeira, será melhor esperar sentado), vai permitir a estruturas que têm como único objetivo perpetuar as condições da sua sobrevivência, manter essas condições por mais algum tempo, descartando o que é incómodo, recuperando o que julgam poder ser útil, mas sobretudo não modificando o status quo e assegurando que os recursos disponíveis possam continuar a ser canalizados para as iniciativas mediáticas impactantes que, no fim do dia, são a única coisa que lhes importa.

Nada que nos possa surpreender. O mesmo se passou com a tutela do Ambiente e, depois, com a do Ordenamento do Território. A política-tal-como-a-conhecemos está apostada em erradicar do quadro da discussão pública todo e qualquer elemento técnico que possa obstar à resolução, sem peias, dos dois únicos problemas que a afligem: os lugares e as pessoas. Agora, tocou ao Património ***. Uma certa figura de Autarca (a que de facto domina o complexo político-partidário) pode começar a descansar, os “obstáculos ao desenvolvimento” (assim os entendem) são removidos do panorama político: a gestão dos favores e das influências pode ser feita livremente, assegurando que no seu Concelho (deprimido e desertificado) nada obsta a que a única instituição existente (a Autarquia; não existe outra administração, nem empresas, e as associações são extensões da Câmara) determine os destinos das clientelas a seu bel-prazer e continue a criar os elefantes brancos que a propaganda eleitoralista reclama. Entretanto, entretenhamos o “pagode” com questões tão significativas quanto a reclassificação dos Museus (em base casuística, pois é de evitar uma discussão mais global, que repensasse a estrutura e obrigasse a reavaliar alguns contratos inter-administrativos entretanto firmados).

A qualidade dos pareceres internos, ponderadas tomadas de posição em sede própria (a Secção especializada de museus, da conservação e restauro e do património imaterial do Conselho Nacional de Cultura) e apelos públicos muitíssimo significativos**** fizeram, no caso de i use it buy viagra in new zealand Conimbriga, imperar o bom-senso. São devidos sinceros e respeitosos cumprimentos a todos os envolvidos, obviamente incluindo Ministério e Direção-Geral.

Mas as decisões agora tomadas acerca de Évora e Conimbriga, na sequência daquelas tomadas acerca dos Museus da Música e Grão-Vasco, todas elas boas e justificadas, ficam ainda assim longe de nos permitir retomar a normalidade e, diria mesmo, ainda aquém de podermos recuperar uma desejável racionalidade na gestão do Património Cultural.

Continuamos, nos Museus e fora deles, a viver num horrível contexto de sub-orçamentação*****, num clima de administração concentracionária e desprovidos de qualquer fatia de autonomia decisória.

A título de exemplo, mencione-se que, num ano de get viagra perscription online exercício do cargo, a DGPC ainda não encontrou oportunidade para delegar nos diretores de Museus, competências tão simples quanto as de autorizar excecionalmente uma visita gratuita, a realização de uma fotografia para estudo, o aluguer dos espaços ou a assinatura de um protocolo não acarretando despesas com uma instituição terceira, ao contrário, aliás, do que era costume, e contra os mais esclarecidos preceitos do Estatuto do Pessoal Dirigente (normativo legal que, por outras razões, há motivos fundados para suspeitar que a DGPC desconhece).

Mas, como cegos conduzindo os coxos, “estamos” certos do caminho e seguros de lá chegar.

Finis. Laus Deo.


Virgílio Hipólito Correia,
Museu Monográfico de Conimbriga

7 de Março de 2017.



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